Ucrânia vê área de milho estável, choque de fertilizantes pode ocorrer em 2027
É improvável que um aumento acentuado nos preços dos fertilizantes provoque grandes mudanças nos planos de plantio da Ucrânia neste ano, mas pode levar os agricultores a reduzir o uso intensivo de fertilizantes no milho em 2027, disse uma autoridade sênior na quinta-feira (26).
A guerra no Irã elevou os preços do gás e do petróleo, aumentando o custo dos fertilizantes produzidos a partir deles.
A Ucrânia é um grande exportador mundial de milho, mas sua produção depende muito do uso de fertilizantes.
“Qualquer impacto potencial sobre a área cultivada (de milho) provavelmente não começaria antes de 2027”, disse à Reuters o vice-ministro da economia, Taras Vysotskiy.
“Este ano, é improvável — tudo já foi preparado (para a semeadura).”
Antes do conflito no Irã, o Ministério da Economia esperava que os agricultores mantivessem a área cultivada com milho perto de 4,4 milhões de hectares em 2026.
O ministério ainda não emitiu sua perspectiva para a safra de milho de 2026.
O UAC, principal sindicato de agricultores da Ucrânia, disse esta semana que prevê uma safra de milho de 31 a 32 milhões de toneladas métricas em 2026, contra 31 milhões de toneladas em 2025.
Salto nos preços
Antes da invasão da Rússia, a Ucrânia produzia grande parte do fertilizante que utilizava. Mas o aumento dos custos do gás e os ataques russos às instalações reduziram a produção, aumentando as importações.
A mídia ucraniana informou que as importações de fertilizantes aumentaram quase 14% em 2025, para 3,3 milhões de toneladas, ante 2,9 milhões de toneladas em 2024.
Kostyantyn Kinzhalov, analista da Barva Invest, sediada em Kiev, disse em uma reunião de comerciantes online que os preços domésticos da ureia — um fertilizante amplamente utilizado durante a semeadura — aumentaram 65% desde o início do ano e 43% desde o final de fevereiro.
“Já estamos vendo uma oferta global mais restrita e preços em alta”, disse ele, acrescentando que muitos agricultores haviam estocado antes do conflito no Irã, limitando o impacto sobre a colheita deste ano.