‘Um cara fraco’: Stuhlberger faz alerta sobre eventual governo Flávio Bolsonaro
Apesar de ver a bolsa deslanchando e o dólar caindo com um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), Luis Stuhlberger, da Verde Asset, não poupou críticas ao candidato da oposição.
Para ele, trata-se de um nome ‘fraco’, que não tem um projeto de governo. “O pai, [Jair Bolsonaro], pelo menos, tinha um projeto. Pode ser um maluco, mas tinha”, disse em evento da Monte Bravo, ocorrido nesta quinta-feira (24) em São Paulo.
“Vai se render ao Centrão, não vai acabar com o lobby. Então, para consertar o Brasil, você precisa de alguém muito forte, com muita moral, que não é ele”, afirma.
De qualquer forma, segundo o gestor, uma vitória da oposição pode representar um ‘alívio’ nas contas públicas, que atingiram R$ 10,9 trilhões (82,5% do PIB) em julho.
“Mas, de novo, acho que o Brasil vai ser aquele negócio: não se encante com o excesso de otimismo”, alerta.
Flávio, por exemplo, evitaria se comprometer com um teto de gastos, pelo menos agora, na boca das eleições. “Se ele faz isso, ele perde a eleição. Esse é o problema. Você não sabe ainda a real intenção dele.”
Cercado de gente boa
Stuhlberger, por outro lado, elogiou a equipe econômica de Flávio. Em sua visão, Daniella Marquês, coordenadora da campanha do candidato, “é uma pessoa excelente”.
“Mas, provavelmente, ela não vai para o Ministério da Fazenda. Ela vai para o Banco do Brasil, que é o sonho dela, ser a CEO do Banco do Brasil (BBSA3), que está precisando, de fato, de um jogo que a gente melhore”, disse.
Brasil precisa acordar?
O gestor também diz que, para o Brasil ‘acordar’, de fato, seria necessário virar uma ‘Argentina’.
“Porque a gente ainda não está tão ruim que você precise de um [choque] para pôr ordem na casa. Está ruim, as empresas estão com dívidas, a população é endividada, mas vai bem”, coloca.
A taxa de desemprego no Brasil, por exemplo, fechou em 5,3% no trimestre encerrado em julho, um dos menores patamares da história.
“A economia cresce, o desemprego está no all-time low. Você tem um negócio na economia que é funcional, não é disfuncional.”
Piorar antes de melhorar
O gestor afirmou ainda que é cético em relação à capacidade de Flávio de implementar uma agenda de reformas e controle de gastos caso chegue à Presidência. Segundo ele, seria necessário que o cenário político e econômico piorasse significativamente antes de uma melhora.
Stuhlberger avaliou, porém, que a proposta de acabar com a reeleição poderia abrir espaço para que Flávio aprovasse uma agenda mais ampla de reformas no início de um eventual mandato, aproveitando o período de maior popularidade.
“Não é uma má ideia, digamos. Apesar de que, no limite, você vai ficar com aquela história: o Flávio não pode ser reeleito, mas o Jair pode”, afirmou.
“Eu acho que, se ele, de fato, fizer isso, seria algo, digamos, que permitiria a ele aprovar alguma agenda de reforma e de controle de gastos mais compulsória”, disse.