Coluna
Happy Hour

Como me preparo para fazer perguntas difíceis

08 nov 2026, 11:00
Ex-ministra Simone Tebet concede entrevista ao podcast Market Makers; à esq., o apresentador Thiago Salomão; ao centro, Leopoldo Rosa

Uma das coisas que mais me questionam sobre o trabalho no Market Makers é como me preparo para fazer perguntas difíceis. Esse questionamento explodiu durante a nossa cobertura eleitoral, aliás.

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O ponto é que não existe pergunta difícil quando o entrevistado é alguém que se propõe a ser candidato a um cargo público. Se a pergunta for de interesse público, ela tem que ser feita. Não é uma opção.

Ora, tive que perguntar a Flávio Bolsonaro se a gente ainda seria surpreendido com algo mais de sua ligação com Daniel Vorcaro durante a campanha.

Perguntei a Ronaldo Caiado se ele considerava que sua eleição seria uma “renovação política” sendo ele um candidato que esteve presente na eleição de 1989.

Perguntei a Renan Santos se ele via espaço para seu grupo político, já que ele mesmo afirmou que a direita foi tomada pelo bolsonarismo.

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Perguntei a Aldo Rebelo como um político criado no PC do B agora estava num partido chamado Democracia Cristã.

Todas as perguntas foram feitas com elegância. E respondidas de igual forma, viu?

Isso é jornalismo, democracia e República. Todas essas perguntas interessavam a quem nos assistia e quem estava do outro lado da bancada sabia que elas não estavam sendo feitas para satisfazer uma curiosidade do entrevistador ou mesmo para gerar buzz nas redes sociais.

Pergunta difícil, para o jornalista, é material de outra monta.

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Quando eu era repórter da CBN, num interminável plantão de Natal, fui enviado para cobrir um acidente de ônibus que tinha deixado dezenas de mortos. Pessoas que vinham do Paraná passar as festas com parentes em São Paulo. No hospital, diante dos familiares em prantos, tive que perguntar: “como vai ser o seu Natal agora?”. A pergunta cruelíssima ajudaria a compor a reportagem, mas essa, sim, foi difícil de fazer. Aliás, me esquivei de fazê-la enquanto pude. Queria abraçar aquelas pessoas, consolar, deixá-las viver seu luto em paz.

O dever do ofício nos obriga a certas inconveniências, no entanto.

Por isso, esse tipo de situação é o que coloco na categoria do “perguntas difíceis”. Não acho que entrevistar políticos seja fácil. O interesse público é um dever seríssimo que a gente cumpre quando faz isso. Mas não tem pergunta difícil quando alguém voluntariamente diz que quer trabalhar para o povo e se dispõe a ser escrutinado para isso.

Difícil é outra coisa.

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Head de Conteúdo do Market Makers
Leopoldo Rosa é head de Conteúdo do Market Makers. Jornalista com MBA em Mercado de Capitais pela UBS/B3 e em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Tem passagens por Globo, CBN, CNN e Abril.
Leopoldo Rosa é head de Conteúdo do Market Makers. Jornalista com MBA em Mercado de Capitais pela UBS/B3 e em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Tem passagens por Globo, CBN, CNN e Abril.

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