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‘Uma das maiores destruições de valor’: A dura crítica da Squadra à Hapvida (HAPV3)

02 abr 2026, 10:11 - atualizado em 02 abr 2026, 10:11
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'Uma das maiores destruições de valor': A dura crítica da Squadra à Hapvida (HAPV3) (Imagem: Facebook/Hapvida)

A Squadra Investimentos publicou em seu site, na quarta-feira (1), uma carta enviada ao alto escalão da Hapvida (HAPV3), na qual questiona duramente a governança da companhia e defende a adoção do voto múltiplo na eleição do conselho de administração, prevista para ocorrer em assembleia no dia 30 de abril.

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O documento foi direcionado a Candido Pinheiro Koren de Lima, presidente do colegiado, a Jorge Fontoura Pinheiro Koren de Lima, CEO da empresa, e ao executivo de Relações com Investidores (RI), Luccas Augusto Adib.

“Uma das maiores destruições de valor”

Uma das maiores gestoras do país e quem revelou a fraude contábil do IRB (Re) em 2020, a Squadra afirma deter 6,98% do capital votante da Hapvida e diz que a companhia protagonizou “uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro” desde que fez o IPO, em 2018.

Segundo a carta, os papéis HAPV3 acumulam queda de aproximadamente 85% no período, enquanto o Ibovespa, principal índice de desempenho das ações negociadas na B3, avança perto de 120%.

“Ao longo desse tempo, observou-se uma sequência de decisões estratégicas, operacionais, de alocação de capital e de governança equivocadas que, em nossa visão, foram determinantes para a drástica redução do valor acionário da empresa”, afirma o documento.

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As principais críticas

Entre as duras críticas, a Squadra aponta que aquisições relevantes diluíram a exposição ao negócio original e que a integração de ativos, especialmente após a fusão com a NotreDame Intermédica, há quatro anos, foi mal executada, com perda de valor estimada em R$ 80 bilhões.

A gestora também cita a deterioração operacional e financeira recente, mesmo em um cenário de recuperação do setor de saúde complementar, além do aumento da alavancagem.

No quarto trimestre de 2025 (4T25), a Hapvida registrou lucro líquido ajustado de R$ 180,6 milhões, uma queda de 64,9% em relação ao mesmo período de 2024. No consolidado do ano passado, o resultado somou R$ 1,23 bilhão, um recuo de 32,3%.

“O nível de endividamento, combinado com a piora operacional, provocou aumento substancial dos spreads de debêntures da companhia no mercado secundário, atingindo taxas superiores a CDI +9% ao ano”, diz a carta, que ainda critica a recompra de ações.

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“Apesar de um patamar de alavancagem que pode pressionar o custo de capital, a empresa recentemente utilizou R$ 384 milhões de caixa para recomprar papéis de própria emissão.”

Falhas de governança e remuneração elevada

Como sinais de fragilidade na governança, a Squadra aponta a reapresentação de demonstrações financeiras e o reconhecimento “atrasado” de passivos regulatórios.

Além disso, destaca a perda significativa de beneficiários nas regiões Sudeste e Sul, “evidenciando degradação da proposta de valor percebida por seus consumidores”.

Segundo a gestora, enquanto a Hapvida informa que sua base de clientes foi reduzida em 238 mil nessas localidades em 2025, os dados da Agência Nacional de Saúde (ANS) mostram que os estados de Sudeste e Sul apresentaram crescimento de 792 mil beneficiários, já incluindo neste número as perdas registradas pela companhia.

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Outro ponto criticado é a elevada remuneração da administração. A carta afirma que o pacote pago ao CEO somou cerca de R$ 110 milhões em 2023 e 2024.

“Essa cifra lhe valeu menções em múltiplas reportagens como um dos CEOs mais bem pagos do Brasil”, aponta, também questionado os incentivos ao conselho de administração.

“A empresa mantém remuneração variável relevante para o colegiado, atrelada a métricas também utilizadas para a diretoria executiva, o que pode comprometer a independência do órgão e seu papel de supervisão”, afirma.

“No acumulado de 2023 e 2024, apesar de toda a destruição de valor para os acionistas, o bônus recebido pelo conselho de administração correspondeu a 94% do montante previsto no plano de remuneração, como se as metas estabelecidas tivessem sido atingidas”, acrescenta.

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Proposta estratégica

Para além das duras críticas, o documento apresenta uma tese estratégica baseada na simplificação do negócio. A gestora sugere, por exemplo, que a Hapvida avalie desinvestimentos, especialmente em operações do Sudeste e Sul.

De acordo com a Squadra, a alienação desses ativos poderia reduzir a alavancagem, destravar valor e permitir maior foco nas unidades mais rentáveis.

“Entendemos que a gestão segue trabalhando no plano de turnaround dos ativos do Sudeste e Sul, apesar de não ter conseguido apresentar quaisquer indicadores concretos de recuperação até o momento. Julgamos, portanto, fundamental que o alto risco de execução dessa iniciativa seja comparado com o custo de oportunidade da alternativa estratégica de desinvestimentos e consequente simplificação operacional.”

Indicações ao conselho

Na carta, a Squadra também indicou três nomes para o conselho de administração: Tania Sztamfater Chocolat, Bruno Magalhães e Silva e Eduardo Parente Menezes.

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De acordo com o documento, os candidatos têm experiência comprovada em alocação de capital, reestruturação operacional, governança corporativa e gestão de empresas complexas. “Competências que entendemos serem essenciais para o cenário desafiador que se apresenta”, pontua.

“O histórico descrito e a proposta da administração para 2026 deixam claro que a Hapvida necessita, com urgência, de uma mudança substancial na composição de seu colegiado, com maior independência, capacidade técnica e real alinhamento com os interesses dos acionistas”, afirma.

Procurada pelo Money Times, a Hapvida não se manifestou até a publicação desta reportagem.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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