Vai ter CPI do Banco Master? Em que pé está a abertura de investigações sobre o caso na Câmara e no Senado
O cerco ao Banco Master ganhou corpo no papel, mas trava na prática. Mesmo com o protocolo de requerimentos na Câmara e no Senado, o avanço das apurações entra em uma espécie de “modo avião”. O apoio da maioria dos parlamentares esbarra, até agora, na estratégia de espera adotada pelas lideranças das duas Casas.
O impasse de Alcolumbre e a pressão da oposição
No Senado, o clima é de incerteza devido ao silêncio de Davi Alcolumbre (União-AP).
A ausência de posicionamento do líder gerou desconforto e reações imediatas na oposição. Um dos críticos mais vocais, o deputado Zé Trovão (PL-SC), elevou o tom ao cobrar o rito regimental.
“Ele [Alcolumbre] tem que ler. Ele é obrigado a ler na sessão”, afirmou, insistindo que o presidente do Senado não pode ignorar o clamor por transparência.
A “fila de espera” de Hugo Motta
Na Câmara, a situação é igualmente tensa, mas com contornos diferentes. O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), articulador do pedido para apurar fraudes ligadas à instituição financeira, conseguiu reunir 200 assinaturas — margem folgada diante das 171 exigidas. Segundo Rollemberg, a sociedade brasileira exige respostas claras sobre o caso.
Contudo, o caminho não parece ser livre. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já sinalizou que a criação da CPI não deve ter prioridade imediata e deverá aguardar a sua vez na “fila” de comissões da Casa.
Articulação mista e o calendário eleitoral
Em uma tentativa de furar o bloqueio, parlamentares de diversas legendas tentam unificar os esforços em uma CPMI. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) assumiu a dianteira dessa articulação, buscando conectar senadores e deputados para investigar indícios de irregularidades administrativas e rombos bilionários atribuídos ao Master.
O grande desafio, no entanto, é o cronograma de 2026. Com a proximidade do ano eleitoral, o temor nos bastidores é que a investigação perca força ou seja “engolida” pelas campanhas. Se o início dos trabalhos ficar para as vésperas da eleição, o risco é de que o esvaziamento de Brasília enterre qualquer chance de um desfecho ágil para as investigações.
* Sob supervisão de Maria Carolina Abe