Vale (VALE3) cai na volta do Carnaval com ajuste aos ADRs e minério no menor nível desde novembro
Depois de dois dias de Bolsa fechada no Carnaval, as ações da Vale (VALE3) operam em queda nesta quarta-feira (18), em movimento de ajuste aos ADRs negociados em Nova York e em meio ao aumento da aversão a risco no exterior. Por volta das 14h30, os papéis recuavam 2,31%, a R$ 85,02.
A baixa reflete, em grande parte, a necessidade de alinhamento aos recibos da companhia nos Estados Unidos, que acumularam perdas nos últimos dois pregões enquanto a B3 permanecia fechada. Com isso, o mercado local abriu já “correndo atrás” da correção de preços.
No cenário externo, o principal vetor de pressão veio dos Estados Unidos. Dados recentes de inflação e do mercado de trabalho reacenderam o temor de que o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) mantenha os juros elevados por mais tempo. A perspectiva de política monetária mais restritiva fortalece o dólar, pressiona commodities e reduz o apetite por ativos de risco — combinação tradicionalmente negativa para mineradoras.
Ao mesmo tempo, o mercado ficou sem o suporte da China durante o feriado do Ano Novo Lunar. Investidores aguardavam eventuais anúncios de estímulos por parte de Pequim, que costuma usar o período para sinalizar prioridades econômicas e reforçar liquidez.
Com as bolsas de Dalian e Xangai fechadas, a liquidez migrou para Singapura. A ausência de novas medidas de incentivo, somada a indicadores ainda moderados da atividade industrial chinesa, pesou sobre o minério de ferro. O contrato negociado em Singapura encerrou a sessão em torno de US$ 95,95 por tonelada, o menor nível desde novembro.
Sem um gatilho claro de demanda vindo do maior consumidor de aço do mundo e diante de um ambiente global mais duro para ativos cíclicos, Vale acompanha o ajuste das commodities e devolve parte dos ganhos recentes.