Vale (VALE3) fica de fora do ‘trade Flávio’ e cai mesmo com disparada do Ibovespa; o que aconteceu?
As ações da Vale (VALE3) figuraram entre as únicas sete quedas dos 76 papéis listados no Ibovespa (IBOV) nesta segunda-feira (5).
VALE3 encerrou o pregão com baixa de 0,90%, a R$ 71,45, após cair mais de 3% durante o pregão. Já o IBOV a terminou as negociações com alta de 7,70%, aos 206.911,89 pontos, no maior nível desde 14 de abril e na maior alta diária desde março de 2020.
Apesar de deter cerca de 8% de participação do índice, as ações da Vale foram impactadas pelo minério de ferro, que segue sem a referência de Dalian por conta do feriado da Semana Dourada (Golden Week) na China, até quarta-feira (7). Há ainda a pressão dos custos de frete no radar.
A forte desvalorização do dólar frente ao real, com o efeito ‘Flávio Bolsonaro’, também pesou sobre os papéis VALE3. A divisa norte-americana terminou o pregão desta segunda-feira a R$ 5,0018 no mercado à vista, com queda de 4,12%.
Para o Citi, a Vale, assim como outras companhias do setor de mineração que possuem maior exposição líquida ao dólar, um real mais fraco seria negativo do ponto de vista microeconômico.
A mesma visão é compartilhada por Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil.
“A valorização do real reduz, em dólares, a receita obtida no exterior pela companhia e fez com que a Vale ficasse praticamente de fora do rali observado nos ativos domésticos”, afirmou o especialista.
Contudo, os analistas do Citi ainda acreditam que Vale pode se beneficiar dos fluxos para ações em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, dada sua elevada liquidez e participação relevante no Ibovespa.
“Isso potencialmente pode fazer ela ser uma das primeiras empresas a se beneficiar de um aumento dos fluxos, apesar de seu perfil de resultados mais dolarizado”, afirmaram Gabriel Barra, Pedro Gama e Pedro Ferreira de Mello, do Citi.