Vale (VALE3): Itaú BBA ignora mineração mais fraca e eleva preço-alvo
Mesmo após uma alta acumulada de cerca de 22% no começo de 2026 e de uma frente de mineração “mais fraca”, a Vale (VALE3) ainda tem espaço para avançar, segundo o Itaú BBA. O banco manteve a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) e elevou o preço-alvo para o fim de 2026 de US$ 14 para US$ 19 por ADR, o que implica um potencial de valorização de quase 18% frente aos níveis atuais.
Na leitura dos analistas, a tese da mineradora segue sustentada por três vetores principais: melhora operacional, preços mais altos dos metais básicos e um pano de fundo macro que favorece ativos reais e mercados emergentes.
“A Vale continua bem posicionada para se beneficiar da busca global por ativos reais, em um ambiente de desvalorização das moedas e maior apetite por commodities metálicas”, afirmam os analistas do Itaú BBA, em relatório divulgado nesta terça-feira (3).
O banco revisou para cima suas estimativas de Ebitda (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) para 2026 e 2027, mesmo com um ajuste negativo na divisão de minério de ferro, refletindo volumes abaixo do esperado.
A estimativa de Ebitda para 2026 subiu para US$ 18 bilhões, um aumento de 7% em relação à projeção anterior. Só a divisão de metais básicos deve responder por US$ 5,1 bilhões, uma alta de 57% frente à estimativa anterior.
O impulso positivo para a revisão veio, sobretudo, dos metais básicos — especialmente cobre e níquel — cujos preços dispararam recentemente.
De um lado, o mercado tem buscado maior exposição a ativos reais em um ambiente de desvalorização das moedas e expectativa de juros globais mais baixos, o que favorece commodities metálicas. De outro, há fundamentos mais apertados de oferta, especialmente em cobre e níquel, em um momento em que a demanda estrutural segue forte, puxada por eletrificação, transição energética e investimentos em infraestrutura.
“O impacto do mark-to-market dos preços de metais básicos mais do que compensa a revisão negativa no minério de ferro”, diz o relatório.
Já o minério de ferro sofreu revisões negativas, principalmente por volumes abaixo do que o Itaú BBA esperava após a atualização do guidance operacional da companhia. O banco reduziu as estimativas de Ebitda da divisão ferrosa, refletindo vendas menores, apesar de preços relativamente resilientes. Ainda assim, os analistas avaliam que o impacto é limitado no consolidado
Fluxo estrangeiro e tese de ‘hard assets’
Além dos fundamentos operacionais, o banco chama atenção para a dinâmica de fluxo de capital. Com peso de cerca de 11,7% no Ibovespa, a Vale tende a capturar de forma direta a entrada de capital estrangeiro no Brasil.
Segundo os analistas, o posicionamento local ainda é relativamente leve, enquanto a participação de investidores estrangeiros vem crescendo — combinação que pode sustentar a recente valorização dos papéis.
“A Vale se destaca como um dos principais veículos para exposição a commodities metálicas e ao tema de ‘hard assets’ dentro do mercado brasileiro”, avalia o Itaú BBA.
Outro ponto que reforça a tese é o balanço. O banco estima que a Vale encerre 2026 com dívida líquida expandida de US$ 15,7 bilhões, já próxima do centro da faixa-alvo da companhia (US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões) e em trajetória de queda.
Mantido apenas o pagamento mínimo de dividendos, a dívida deve cair para US$ 12,5 bilhões em 2028, abrindo espaço para distribuições extraordinárias no futuro.
“A aceleração do processo de desalavancagem cria margem para dividendos adicionais nos próximos anos”, aponta o relatório.
No cálculo do BBA, por fim, a Vale negocia a 4,8 vezes EV/Ebitda em 2026, com o yield de fluxo de caixa livre médio de 8,5% entre 2026 e 2028, acima de pares australianos.