Vale (VALE3): O que chamou atenção no resultado do 4T25, segundo analistas
A Vale (VALE3) divulgou resultados operacionais do quarto trimestre de 2025 (4T25) acima das expectativas, que já eram elevadas, com destaque para a divisão de metais básicos e para a forte geração de caixa, segundo avaliação da Empiricus Research.
Em relatório assinado pelo analista Ruy Hungria, a casa destacou que, na unidade de minério de ferro, a receita líquida cresceu 3% na comparação anual, para US$ 8,4 bilhões, impulsionada por maiores volumes de vendas e preços mais altos.
O avanço foi parcialmente compensado pela fraqueza no mercado de pelotas, que, de acordo com especialista, segue pressionado por demanda mais fraca pelas condições de mercado.
Hungria também apontou que os custos do trimestre foram impactados pela valorização do real e por paradas para manutenção, especialmente no Sistema Norte.
Com isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da principal divisão da companhia somou US$ 3,97 bilhões, praticamente estável na comparação com o 4T24.
Metais básicos ganham força
Na unidade Vale Base Metals (VBM), o desempenho foi considerado robusto, apoiado principalmente pela alta de preços, além de melhores volumes e controle de custos.
O Ebitda do segmento de cobre, por exemplo, dobrou, chegando a US$ 1 bilhão, impulsionado pelo avanço de 20% nos preços e de 9% no total vendido.
Já na divisão de níquel, que tem enfrentado maiores dificuldades, o Ebitda saltou de US$ 55 milhões, no 4T24, para US$ 358 milhões, no 4T25, também ajudado por preços e volumes mais favoráveis, após uma série de investimentos em melhoria de produtividade.
No consolidado, o Ebitda da companhia chegou a US$ 4,8 bilhões, alta de 17% em base anual e acima das estimativas do mercado.
“Esse desempenho operacional positivo combinado com menores despesas financeiras contribuíram para a companhia entregar um fluxo de caixa livre recorrente de US$ 1,7 bilhão, praticamente o dobro do 4T24, o que também ajudou a reduzir a dívida líquida expandida de US$ 16,6 bilhões no 3T25 para US$ 15,6 bilhões no fechamento de 2025”, afirmou o Hungria.
“Ao longo dos últimos trimestres, a Vale tem conseguido entregar evolução consistente de resultados, ajudados por melhora operacional, ajustes na estratégia comercial e alta nos preços de metais, que mais do que justificam o re-rating que estamos observando nos papéis”, apontou.
Desde o início de janeiro, as ações da mineradora acumulam alta superior a 23%, negociadas ao redor de R$ 89,23. Em 12 meses, a valorização chega a 62%.
Mesmo após o rali, a Empiricus destaca que a empresa negocia a 5,2 vezes EV/Ebitda e mantém recomendação de compra para os papéis.
O que diz o Bradesco BBI
Na mesma linha, o Bradesco BBI afirmou que o Ebitda proforma do 4T25 veio 10% acima de sua estimativa e 5% acima do consenso, com execução de custos melhor que o esperado em todas as divisões.
Em relatório, o banco apontou que, no minério de ferro, os custos totais de 2025 ficaram em US$ 54 por tonelada, abaixo da projeção de US$ 55.
“Também destacamos uma geração sólida de FCF para o trimestre, o que implica um rendimento anualizado de 9%”, disse a casa, que manteve recomendação de compra para VALE3, afirmando que o papel negocia com FCF estimado de 8% para 2026, considerando preço médio do minério de US$ 100 por tonelada.
“Após esse forte conjunto de resultados, vemos espaço para revisões positivas em nossas estimativas para este ano.”
O que diz a XP Investimentos
Analistas da XP também afirmaram que os números do 4T25 reforçam o momento operacional da companhia, especialmente na divisão de metais básicos, com entregas superiores tanto em cobre quanto em níquel, além do cumprimento do guidance de custos no minério de ferro.
A corretora ponderou, no entanto, que o valuation ainda indica assimetria negativa frente às commodities.
“Embora o valuation aponte para uma assimetria negativa, o momento continua apoiado por entradas contínuas de estrangeiros, valuation relativo atrativo em relação aos pares e expectativas de resultados sólidos futuros”, apontou a casa, que manteve recomendação neutra para os papéis, mas reconheceu um viés positivo no curto prazo.
O que diz o BTG Pactual
Por sua vez, o BTG Pactual afirmou que, mesmo diante de expectativas elevadas, a Vale entregou um conjunto sólido de resultados, beneficiado também pela alta nos preços das commodities.
Em relatório, o banco pontuou que o Ebitda ficou 6% acima das estimativas internas, impulsionado principalmente pelo desempenho da Vale Base Metals (VBM), que veio 72% acima da projeção.
“A surpresa positiva de 6% no Ebitda consolidado foi amplamente explicada pela VBM, já que a companhia reportou US$ 1,4 bilhão no segmento, frente à nossa estimativa de US$ 811 milhões. Apesar de volumes sólidos — com níquel e cobre cerca de 2% a 3% acima do esperado — o principal vetor foi a receita de subprodutos acima das projeções, que impulsionou os resultados dessas operações”, destacou a casa.
Na avaliação da instituição, a tese micro segue sólida, enquanto os fundamentos de cobre e níquel mostram melhora consistente, contribuindo para o desempenho superior da divisão.
“Embora a Vale ainda seja majoritariamente uma história de minério de ferro, acreditamos que, com o tempo, a crescente exposição ao cobre pode levar o mercado a questionar se um múltiplo entre 4 e 5 vezes Ebitda é realmente baixo, considerando que mineradoras focadas em cobre negociam próximas ou acima de 10 vezes”, afirmou o banco.
Em outras frentes, o BTG também destacou que a companhia entregou um FCF yield anualizado de 9% e reduziu a alavancagem em US$ 1 bilhão na comparação trimestral.
“A barra estava alta, mas acreditamos que os resultados sustentam o momento recente das ações… Os preços do minério de ferro foram pressionados recentemente por dados mais fracos da China, mas ainda giram em torno de US$ 100 por tonelada — níveis que seguem permitindo geração relevante de fluxo de caixa para a mineradora.”
Mesmo após a valorização recente, o banco vê a empresa negociando abaixo de 5 vezes EV/Ebitda para 2026 e com cerca de 8% de FCF yield — métricas que, segundo o BTG, no contexto de re-rating do setor de commodities, fluxos mais fortes para emergentes e maior exposição ao cobre, sustentam a recomendação de compra para os papéis.