Vale (VALE3): Santander aposta em primeiro trimestre forte, com metais básicos ganhando espaço
A Vale (VALE3) deve entregar um primeiro trimestre de 2026 de alta qualidade, mesmo com os efeitos sazonais típicos do período, ao menos na avaliação do Santander, que vê avanço relevante na contribuição dos metais ligados à transição energética.
O banco estima um Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) consolidado de US$ 4,08 bilhões no 1T26, o que representa queda de 16% na comparação trimestral, mas alta de 27% na base anual.
“Esperamos que a Vale entregue um trimestre de alta qualidade, apesar da sazonalidade mais fraca devido ao período de chuvas”, escreveram os analistas liderados por Yuri Pereira.
Segundo o relatório, o principal destaque é o avanço da divisão de metais para transição energética (ETM), que deve responder por 33% do Ebitda consolidado — praticamente o dobro da participação observada um ano antes. “Vemos o segmento de Energy Transition Metals se tornando cada vez mais relevante, com forte crescimento anual e margens elevadas”, destacou o banco.
A dinâmica de preços também deve ajudar o resultado. Enquanto o minério de ferro teve leve queda de 2% no trimestre, para US$ 104 por tonelada, os metais básicos avançaram com mais força.
O cobre subiu 15% na comparação trimestral e 37% na anual, enquanto o níquel avançou 17% no trimestre e 11% em um ano — movimento que sustenta a melhora da divisão de metais para transição energética.
No negócio de minério de ferro, o Santander projeta embarques de 67,6 milhões de toneladas no período, alta de 2% na base anual, impulsionados pelo ramp-up de projetos como Capanema e Vargem Grande.
Vale terá queda na base trimestral
Ainda assim, o desempenho sequencial deve ser mais fraco, com queda de 20% frente ao quarto trimestre, refletindo a sazonalidade e a paralisação de algumas operações.
“Os custos devem subir para US$ 23,7 por tonelada, pressionados por maiores gastos de produção, efeito cambial e compras de terceiros”, apontam os analistas.
Com isso, a divisão ferrosa deve registrar Ebitda de US$ 2,98 bilhões, queda de 25% no trimestre, mas leve alta de 3% na comparação anual, com margem de 44%.
Já na divisão de metais básicos, o banco projeta um Ebitda de US$ 1,33 bilhão, avanço de 140% na comparação anual, com margem de cerca de 50%.
“Apesar da queda sequencial na produção de cobre por efeitos sazonais, os preços mais altos devem sustentar a geração de caixa do segmento”, diz o Santander.
O lucro líquido, por sua vez, deve atingir US$ 2,38 bilhões no trimestre, alta de 53% na base anual, revertendo prejuízo observado no trimestre anterior.
Mesmo com o bom momento operacional, o Santander mantém cautela em relação ao valuation. O banco tem recomendação de outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 85,25 para o fim de 2026.
“Os principais riscos seguem ligados à volatilidade do minério de ferro, especialmente diante das incertezas sobre a economia chinesa”, alertam os analistas, citando ainda pressões de custos, câmbio e riscos regulatórios.