Saúde

Enquanto o mundo se assusta com o vírus Nipah, cientistas alertam para outro perigo invisível

05 fev 2026, 16:54 - atualizado em 05 fev 2026, 16:54
Naegleria fowleri, a 'ameba comedora de cérebros' — Foto: Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC)
Naegleria fowleri, a 'ameba comedora de cérebros' — Foto: Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC)

Se fosse um filme, o trailer começaria assim: “você não consegue enxergá-los, mas, se entram no corpo humano, o final quase nunca é feliz”. O problema é que não se trata de uma obra de ficção científica, e sim microbiologia. Enquanto o noticiário global acompanha o vírus Nipah, pesquisadores chamam atenção para outro perigo silencioso.

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Não é uma bactéria e definitivamente não é um zumbi. São as chamadas amebas de vida livre.

O medo do momento: Nipah vírus

O vírus Nipah assusta porque carrega todos os ingredientes de um pesadelo sanitário moderno: alta letalidade, ausência de vacina e potencial de transmissão entre humanos.

Transmitido principalmente por morcegos frugíferos, o Nipah causa infecções respiratórias e neurológicas graves, com altas taxas de mortalidade.

Mas, longe dos holofotes, existe outro grupo de organismos que não gera pandemias e não aparece em gráficos de contágio — só quando já deu errado.

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O que são as amebas que parecem zumbis

As amebas de vida livre são organismos unicelulares e não dependem de humanos ou animais para sobreviver. Elas vivem de forma independente e habitam:

  • Lagos e rios de água doce
  • Solos úmidos e lama
  • Poeira
  • Caixa d’água e sistemas antigos de encanamento

Elas não “caçam” humanos, não planejam ataques e nem se espalham entre pessoas, o encontro é acidental. O problema é o que acontece depois.

Por que os cientistas estão mais atentos

O alerta recente não se deve a um aumento explosivo de casos, mas a uma mudança de contexto.

O aquecimento global está tornando águas doces mais quentes por mais tempo, criando ambientes ideais para essas amebas. Ao mesmo tempo, sistemas urbanos envelhecidos ampliam os pontos de contato entre humanos e microrganismos.

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Há ainda um terceiro fator: diagnóstico tardio. Muitas infecções por amebas só são identificadas quando o quadro já é grave, o que dificulta a resposta médica.

Em outras palavras: eles sempre estiveram ali, mas agora as condições estão ficando cada vez mais favoráveis.

Como acontece a infecção por ameba

A ameba mais conhecida, Naegleria Fowleri, entra pelo nariz, geralmente durante atividades em água doce quente, normalmente entre 30°C e 40°C. A partir daí, migra até o cérebro e destrói o tecido, sendo quase sempre fatal, com taxa de mortalidade de 95% a 99%.

Além de infecções cerebrais raras, podem causar infecções dolorosas nos olhos (principalmente em usuários de lente de contato), lesões de pele em pessoas imunossuprimidas e, em casos raros, infecções sistêmicas em órgãos como pulmões, fígado e rins.

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Ocasionalmente, a Naegleria fowleri foi encontrada na água da torneira, principalmente quando esta está quente e não foi devidamente clorada.

O ponto é que não tem tratamento simples e nem resposta rápida.

Como se proteger da doença

A boa notícia é que o risco é extremamente baixo e tem medidas simples para evitar o contágio.

Quando estiver na água:

  • Evite mergulhar ou nadar em água doce quente, parada ou com pouco fluxo
  • Tente evitar que a água entre pelo nariz, é nele que mora o perigo
  • Evite brincar de mergulhar, pular ou agitar o fundo da água com lodo

Em casa:

  • Mantenha caixa d’água limpas, vedadas e higienizadas
  • Evite usar água de torneira não filtrada para lavagem nasal

Procure um atendimento médico se, após contato recente com água doce quente, surgirem:

  • Dor de cabeça intensa
  • Febre
  • Rigidez no pescoço
  • Confusão mental
  • Náuseas e vômitos persistentes

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Repórter
Jornalista com pós-graduação em Literatura, Artes e Filosofia. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como Analista de SEO.
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