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Vorcaro e ex-presidente do BRB divergem sobre origem de carteiras vendidas pelo Master

30 jan 2026, 6:13 - atualizado em 30 jan 2026, 6:03
Banco Master
(Imagem: Divulgação)

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa apresentaram versões divergentes durante a acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da origem das carteiras “podres” vendidas ao banco estatal em 2025.

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O trecho da acareação, realizada no dia 30 de dezembro do ano passado, foi divulgado em vídeo pelo portal Poder360.

Segundo investigação da Polícia Federal, de janeiro a junho de 2025, o BRB comprou, no total, R$ 6,7 bilhões em carteiras falsas do Master e pagou mais R$ 5,5 bilhões de prêmio, totalizando R$ 12,2 bilhões. Essas carteiras foram originadas pela Tirreno, uma empresa classificada como “de prateleira” pela Polícia Federal. A Tirreno foi criada em dezembro de 2024 e começou a repassar os créditos ao Master em janeiro de 2025.

Questionado sobre a origem dos créditos durante a audiência, Vorcaro afirmou que o BRB sabia que as carteiras não eram originadas pelo Master, mas sim por terceiros.

“A gente anunciou que a gente faria vendas, naquela ocasião, de originadores terceiros. A Tirreno nem eu mesmo sabia naquela ocasião, se eu não me engano, que existiu o nome Tirreno”, disse Vorcaro. “Chegamos a conversar por algumas vezes que a gente começaria um novo formato de comercialização, que seria de terceiros ou carteiras originadas por terceiros, e não mais originação própria”, disse Vorcaro.

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Costa, porém, negou essa versão. “O meu entendimento, e que eu coloquei aqui mais cedo, é que eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo pra gente.”

Vorcaro rebateu a versão, ao dizer que não havia informação de recompra pelo Master e que as carteiras vinham de originadores que já atuavam no mesmo ambiente de negócios do banco, mas não haviam sido originadas pela instituição.

“Eram carteiras dos mesmos originadores que faziam originação para o Master, mas não especificamente originadas por nós”, disse.

Paulo Henrique disse que, no seu entendimento, os créditos foram originados no Master e não havia conhecimento de que vieram da Tirreno. “Na nossa visão, eram créditos originados pelo Master, vendidos em algum momento e que estavam sendo comprados, e nesse ponto específico a gente seguiu comprando essas carteiras específicas até abril”, disse.

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Segundo o ex-presidente do BRB, os técnicos do BRB identificaram a partir de abril que havia um “padrão comportamental diferente” nas carteiras e que só então passaram a questionar a origem dos créditos. “Ao longo do mês de maio obtemos informações de que eram créditos originados pela Tirreno, quando a gente fala originados pela Tirreno não significa que ela produziu o crédito. A Tirreno era uma consolidadora”, disse.

Em depoimento à Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que não investigou a fundo os contratos e que fechou negócio “menos pela empresa e mais pela pessoa”. Ele se referia ao empresário Henrique Peretto, dono da Tirreno e também de outra empresa de crédito, a Cartos, com a qual o Master já mantinha relações.

O caso integra as investigações que levaram à liquidação do Banco Master pelo Banco Central e à prisão de Vorcaro, que foi solto depois de 11 dias. No STF, o caso é relatado pelo ministro Dias Toffoli.

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