Wall Street fecha majoritariamente em queda, mas avança na semana com cessar-fogo entre EUA e Irã
Os índices de Wall Street fecharam predominantemente no terreno negativo nesta sexta-feira (10) diante da cautela com as tratativas de um acordo de paz duradouro entre Estados Unidos e Irã neste final de semana no Paquistão.
Confira o desempenho dos índices no fechamento:
- Dow Jones: -0,56%, aos 47.916,33 pontos;
- S&P 500: -0,12%, aos 6.816,79 pontos;
- Nasdaq: +0,35%, aos 22.902,89 pontos.
Apesar do tom mais pessimista na sessão de hoje, os índices acumularam alta na semana: o S&P 500 saltou mais de 3%, na sua melhor semana desde novembro, o Nasdaq avançou mais de 4%, também no melhor desempenho desde novembro, e o Dow Jones subiu quase 3%
O VIX (CBOE Volatility Index), considerado um termômetro de risco dos mercados atrelado ao S&P 500, registrou queda de 0,97%, aos 19,30 pontos – o que é considerado como um ambiente de baixa volatilidade no mercado.
Negociações para fim da guerra no Oriente Médio
Os investidores dividiram as atenções entre as negociações para uma solução de paz mais duradoura do que o frágil cessar-fogo no Oriente Médio e dados de inflação norte-americanos.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, irá se reunir com representantes iranianos em busca de um acordo pelo fim da guerra no Paquistão neste final de semana.
Apesar das negociações no radar, ambos os lados trocaram farpas hoje. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou hoje que um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos bloqueados do Irã devem ser cumpridos antes do início das conversas.
Já JD Vance, que irá liderar o lado americano nas conversas, alertou que Teerã não deve “brincar” com os EUA.
O presidente norte-americano, Donald Trump, inicialmente otimista em relação às negociações, voltou a elevar o tom e criticar a condução do Irã na reabertura do Estreito de Ormuz, afirmando ainda que “a única razão de os iranianos estarem vivos hoje é para negociar”.
Dados econômicos
No front macroeconômico, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,9% em março, informou o Departamento do Trabalho. Trata-se do maior aumento desde junho de 2022, quando os preços dispararam em resposta à guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
A inflação norte-americana no acumulado dos últimos 12 meses soma 3,3%. Com isso, os preços ainda estão acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed).
Apesar de elevada, a aceleração dos preços já era esperada por economistas consultados pela Reuters, que previam avanço de 0,9%, com taxa de 3,3% na base anual. O salto na inflação ao consumidor veio na esteira de uma recuperação acentuada no crescimento do emprego no mês passado, o que sugeriu que o mercado de trabalho permanece estável.
Após o dado, a ferramenta Fed Watch, do CME Group, seguiu indicando que em 2026 não deve haver corte nos juros norte-americanos, com expectativa de uma redução pelo Fed apenas em junho de 2027.
A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, avalia que os dados do CPI sugerem que a inflação norte-americana já começou a sentir os impactos da guerra contra o Irã sobre o petróleo. Os preços do segmento de energia, por exemplo, subiram 10,9% no mês, puxados principalmente pelo aumento de 21,2% na gasolina, menciona.
“Além disso, os danos às instalações energéticas de países do Golfo Pérsico aumentaram as preocupações quanto ao restabelecimento da produção de petróleo na região, o que deve prolongar os efeitos sobre os preços de energia e continuar impactando a inflação”, afirma Moreno.
*Com informações de Reuters