Wall Street sobe de olho em fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz
Os índices de Wall Street encerraram o pregão desta quarta-feira (4) em tom positivo com notícias de eventuais trativas sobre o conflito no Irã e expectativas de medidas para liberação do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz.
- Dow Jones: +0,49%, aos 48.739,41 pontos;
- S&P 500: +0,78%, aos 6.869,50 pontos;
- Nasdaq: +1,29%, aos 22.807,48 pontos.
O que movimentou Wall Street hoje?
Os investidores dividiram as atenções entre novos dados do mercado de trabalho e os desdobramentos do conflito no Irã.
A criação de vagas de trabalho no setor privado dos Estados Unidos aumentou mais do que o esperado em fevereiro, embora os dados do mês anterior tenham sido revisados para baixo, segundo o relatório nacional de emprego da ADP divulgado hoje mais cedo.
Houve abertura de 63.000 postos de trabalho no setor privado no mês passado, contra 11.000 em janeiro em dado revisado para baixo. Os economistas consultados pela Reuters previam criação de 50.000 empregos, de 22.000 em janeiro conforme relatado anteriormente.
O relatório da ADP é desenvolvido em conjunto com o Stanford Digital Economy Lab. A expectativa agora é pelo relatório oficial de empregos (o payroll), principal referência do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) para o mercado de trabalho, a ser divulgado na próxima sexta-feira (6).
No final da tarde, o Livro Bege, elaborado pelo Fed, mostrou que a atividade econômica aumentou de forma leve a moderada na maioria dos distritos dos EUA, mas as regiões em que a economia ficou estável ou encolheu passaram de quatro para cinco, em relação ao relatório de janeiro.
Segundo o documento, apesar do aumento no consumo de forma geral, dois distritos relataram quedas contínuas diante de incertezas econômicas. “Muitos deles também foram afetados por maior sensibilidade aos preços e consumidores de menor renda reduzindo seus gastos”, afirma o Livro Bege.
Conflito no Irã
O conflito no Irã entrou em seu quinto dia.
Ontem (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país que vai fornecer seguros e garantias para a segurança financeira de todo o comércio marítimo, incluindo petroleiros, que viajam pela região do Golfo, por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos.
Já hoje, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, disse que o governo fará “uma série de anúncios” para apoiar o fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico, em entrevista à CNBC.
“A percepção de que os EUA podem garantir o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz contribuiu para reduzir parcialmente o prêmio de risco geopolítico”, afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Em reação, os futuros do petróleo chegaram a cair na sessão de hoje e encerraram em linha de estabilidade. Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para abril, fecharam estáveis, a US$ 81,40 barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
O mercado também precificou um eventual cessar-fogo. De acordo com o jornal norte-americano New York Times, agentes do Ministério da Inteligência iraniano entraram em contato indiretamente com o Centro de Inteligência dos EUA (CIA), oferecendo-se para discutir os termos para o fim do conflito, segundo autoridades a par da situação.
Contudo, a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim disse que a notícia era “uma mentira absoluta”, citando uma fonte do Ministério da Inteligência iraniano. A afirmação arrefeceu os ânimos dos investidores.
A Casa Branca ainda anunciou que Trump está discutindo com seus assessores o papel dos EUA no Irã após a campanha militar, enquanto a inteligência norte-americana monitora relatos de que Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo iraniano Ali Khamenei – que foi assassinado nos ataques no último sábado (28) – , surge como principal candidato à sucessão.
“É claro que também vimos esses relatos, e isso é algo que nossas agências de inteligência estão analisando. A verdade é que teremos que esperar para ver”, disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt a jornalistas.
Tarifas de Trump de voltam ao radar
Mais cedo, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que um aumento na nova tarifa global temporária de importação de 10% para 15% provavelmente será implementado ainda esta semana.
“Isso deve ocorrer em algum momento desta semana”, disse Bessent à CNBC.
A nova tarifa foi anunciada por Trump no final de fevereiro, depois que a Suprema Corte derrubou suas taxas ‘recíprocas’.
*Com informações de Reuters