XP aposta em ação que pode subir mais de 80% até o fim de 2026
A XP iniciou a cobertura das ações do Agibank, listadas na Bolsa de Nova York (NYSE), com recomendação de compra. O preço-alvo para AGBK é de US$ 13 ao fim de 2026, o que implica um potencial de valorização de 84,7% em relação ao fechamento anterior.
Segundo os analistas, a tese de investimento é sustentada em um modelo de negócios “estruturalmente diferenciado”, em que o crédito consignado para beneficiários do INSS e servidores públicos entrega crescimento resiliente, baixa inadimplência e alta eficiência de capital.
“O consignado INSS deve continuar sendo o principal motor do banco, entregando crescimento com baixos níveis de inadimplência e alta eficiência de capital, enquanto o consignado privado deve contribuir para melhorar os yields (rendimentos) e acelerar o crescimento dos resultados”, escreveram os analistas em relatório divulgado nesta quarta-feira (3).
Atualmente, a taxa de inadimplência acima de 90 dias da carteira de consignado INSS está em torno de 2%.
A XP também destaca que o banco vem ampliando a atuação no consignado privado, segmento que deve contribuir para o aumento das margens e dos resultados nos próximos anos.
O segmento de crédito privado é apoiado pelo modelo “phygital” da instituição, com mais de 1.100 Smart Hubs espalhados pelo país. De acordo com o relatório, essas unidades apresentam prazo de retorno (payback) inferior a quatro meses, permitindo alavancagem operacional mesmo em um cenário de expansão acelerada.
Essa estrutura também gera uma receita média por cliente ativo três vezes superior à dos pares do setor, mesmo com um custo de atendimento mais elevado – o que se traduz em um índice de eficiência próximo de 40%.
2026: o ano da recuperação
A XP espera que 2026 seja um ano de recuperação para o Agibank após os impactos recentes da suspensão temporária das operações ligadas ao INSS.
A casa projeta crescimento anual composto de aproximadamente 18% para o lucro líquido entre 2025 e 2028, enquanto a receita líquida de juros (NII, na sigla em inglês) deve avançar cerca de 21% ao ano no mesmo período.
A rentabilidade também deve permanecer em níveis considerados elevados. Após atingir retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de cerca de 36% no quarto trimestre de 2025, o indicador deve se normalizar para aproximadamente 25%, ainda em um patamar considerado atrativo pela corretora.
Além disso, a qualidade da carteira de crédito deve seguir resiliente, na visão da XP, sustentada por uma composição em que cerca de 90% das operações contam com algum tipo de garantia, fator que ajuda a manter a inadimplência sob controle.
AGBK está “barata”, diz XP
No relatório, os analistas da XP também afirmam que o valuation do Agibank permanece descontado, apesar das perspectivas de crescimento e dos elevados níveis de rentabilidade.
A corretora espera ainda um re-rating relevante para as ações à medida que a trajetória de crescimento se normalize após as recentes disrupções regulatórias que afetaram o mercado de crédito consignado.