Cláudio Castro e Romeu Zema renunciam aos governos do Rio e Minas; mas por motivos bem diferentes
Os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), estão renunciando ao cargo. Mas por motivo bem diferentes. Pré-candidato a presidente da República, Zema deixou o posto neste domingo (22), dentro do prazo de desincompatibilização. Castro, que pretende disputar uma vaga ao Senado pelo Rio, renunciará nesta segunda-feira (23) na tentativa de escapar de uma cassação no processo que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A renúncia de Castro ocorre um dia antes da sessão TSE que pode torná-lo inelegível por abuso de poder político e econômico. Nos bastidores, a renúncia é vista como manobra, pois a ideia é levar a ação na Corte Eleitoral a perder o objeto, permitindo que ele concorra ao Senado, mesmo que sub judice.
Ainda assim, a estratégia jurídica é considerada arriscada e não há consenso entre especialistas sobre sua eficácia para garantir a elegibilidade do político.
A estratégia de Castro gerou críticas do agora ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que também renunciou, este na sexta-feira (20), para disputar o governo estadual. “Encerramento de mandato nada! Trata-se de um governador omisso fugindo da justiça. Fugindo não! Pior! Desrespeitando a justiça com os crimes que cometeu!”, disparou Paes, em postagem nas redes sociais.
Críticas
Já Zema direcionou as críticas ao governo Lula ao passar o comando a Mateus Simões (PSD) ne. Na cerimônia de transmissão de cargo, Zema, que pretende se lançar à Presidência da República na eleição deste ano, fez um discurso em tom eleitoral, com críticas ao governo Lula (PT).
Ao resgatar suas ações em Minas desde que assumiu o primeiro mandato, em 2019, ele disse que agora é a hora de “fazer a mesma coisa pelo Brasil”. “Ninguém aguenta mais a farra da corrupção, ninguém aguenta mais viver com medo, ninguém aguenta mais a conta não fechar no fim do mês”, criticou.
“O Brasil está sendo destruído por esse governo que está lá em Brasília, o Brasil está sendo destruído pelo mesmo sistema que destruiu Minas Gerais. Mas vou dizer aqui uma coisa para vocês: nós não somos um País fracassado, nós somos, sim, um País roubado. O problema do Brasil não é falta de recursos, é sobra de ladrão”, continuou.
Apesar de Zema se dizer pré-candidato a presidente, nos bastidores, ele é cotado como vice em alguma candidatura do campo da direita, como a do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), possibilidade que o agora ex-governador nega.