Reforma Tributária

100 dias para a virada de fase na Reforma Tributária: pesquisa mostra que apenas 42% estão totalmente adaptadas

23 set 2026, 9:42
reforma tributária split payment
reforma tributária split payment (Imagem: stevepb/Pixabay)

Faltam 100 dias para 1º de janeiro de 2027, data que marca uma das principais viradas da Reforma Tributária do consumo. E, enquanto o relógio corre, parte das empresas brasileiras ainda tenta colocar sistemas, cadastros e contas em ordem para o novo modelo.

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Uma pesquisa da ROIT mostra que apenas 42% das empresas estão com os sistemas de tecnologia e ERP totalmente adaptados e testados para IBS e CBS. Metade ainda depende de atualizações dos fornecedores, sem previsão de testes.

O levantamento indica que a preparação é ainda menor em outras frentes. Apenas 24% das empresas têm toda a base de produtos e serviços auditada e saneada para as novas regras tributárias. Outros 56% fizeram a revisão somente dos itens de maior faturamento.

O que muda em 2027?

O ano de 2026 funciona como uma espécie de teste para o novo sistema tributário. Já em 2027, a transição ganha uma nova dimensão, com o avanço da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e mudanças mais concretas na substituição dos atuais tributos sobre o consumo.

A Reforma Tributária cria um sistema baseado principalmente em dois impostos: a CBS, federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de Estados e municípios. Há ainda o Imposto Seletivo, voltado a determinados produtos e serviços.

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A implementação, porém, será gradual. A transição seguirá pelos próximos anos até que o novo sistema esteja integralmente em vigor.

Para as empresas, isso significa que a reforma não se resume à troca do nome dos impostos. Será necessário adaptar sistemas de emissão de notas, cadastros de produtos, formação de preços, contratos, aproveitamento de créditos e planejamento financeiro.

Preço é maior preocupação

Segundo a pesquisa, 44% apontam a falta de clareza sobre precificação e repasse da não cumulatividade como o maior gargalo operacional. A incompatibilidade dos sistemas e ERPs aparece em seguida, com 27%, enquanto 20% citam falta de capacitação das equipes fiscal e contábil.

Na prática, as empresas precisam entender não apenas quanto pagarão de imposto, mas também quais créditos poderão utilizar e como essa nova conta será incorporada aos preços.

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O impacto pode chegar diretamente ao caixa. 34% das empresas ainda não fizeram projeções sobre os efeitos da reforma no fluxo de caixa, enquanto outros 34% esperam precisar de capital de giro adicional durante a transição. Apenas 24% afirmam já ter o impacto mapeado e neutralizado.

Corrida contra o relógio

Com 100 dias pela frente, quase metade das empresas pesquisadas, 47%, pretende intensificar a capacitação das equipes. Outros 17% planejam contratar soluções fiscais e 15% devem recorrer a auditorias ou forças-tarefa externas.

Ainda assim, 21% não têm nenhuma medida emergencial planejada para a reta final.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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