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150 toneladas por hectare: como o CTC quer dobrar a produtividade da cana até 2040

01 out 2026, 16:14 - atualizado em 01 out 2026, 16:16
cana-de-açúcar produtividade etanol ctc
Plano combina melhoramento genético, biotecnologia, sementes sintéticas e manejo para ampliar a produção sem aumentar a área cultivada. (Foto: Chip Somodevilla/Getty Images)

Dobrar a produtividade da cana-de-açúcar até 2040, sem ampliar a área cultivada. Essa é a ambição do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que aposta na combinação de novas variedades, proteção contra pragas, melhorias no manejo e uma mudança no sistema de plantio para elevar a produção por hectare.

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A dimensão do salto aparece no relatório de sustentabilidade da companhia: de 74 toneladas de cana por hectare (TCH), referência da safra 2022/23, para 148 toneladas em 2040 — um patamar próximo de 150 toneladas. O avanço dependerá da adoção conjunta das tecnologias.

O plano, chamado de Visão 2040, busca atuar sobre diferentes limitações da produção. O melhoramento genético desenvolve plantas com maior potencial; a biotecnologia ajuda a protegê-las; o manejo procura extrair esse desempenho no campo; e as sementes sintéticas pretendem facilitar o plantio e acelerar a chegada das novas variedades às lavouras.

Sementes sintéticas para mudar o plantio

Uma das principais mudanças propostas pelo CTC está na implantação do canavial. No sistema tradicional, o plantio utiliza partes do colmo, o caule da cana. Com as sementes sintéticas, a companhia pretende tornar essa operação mais leve e padronizada.

Segundo o CTC, o material necessário para plantar um hectare pode cair de aproximadamente 16 toneladas de cana para cerca de 400 quilos de sementes. A redução diminui o volume que precisa ser transportado e distribuído no campo.

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O projeto também busca melhorar a uniformidade e a sanidade do plantio, reduzir falhas e acelerar a adoção de variedades mais produtivas. A proposta é simplificar uma etapa que influencia o desempenho da lavoura ao longo de vários cortes.

Outra mudança é transformar os viveiros destinados à produção de mudas em áreas de produção comercial. Entre os benefícios previstos pela companhia estão menor esforço logístico, redução do consumo de diesel e otimização do uso de máquinas.

Em abril de 2026, o CTC inaugurou uma Unidade de Produção de Sementes em Piracicaba (SP), com investimento superior a R$ 100 milhões. A estrutura tem capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano, em um turno, e representa uma etapa de validação dos processos em escala.

A tecnologia é desenvolvida desde 2013, e a companhia estima investimentos acumulados de R$ 1 bilhão até o lançamento comercial.

Genética para produzir mais e biotecnologia para preservar os ganhos

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A mudança no plantio precisa vir acompanhada de plantas capazes de entregar mais. Por isso, o melhoramento genético é outra frente central do plano, com desenvolvimento de variedades adaptadas aos diferentes ambientes de produção brasileiros.

Um exemplo é a série CTC Advana. A primeira variedade, Advana1, foi apresentada com porte ereto, que facilita a colheita, alto teor de açúcar e características associadas à produtividade e à longevidade do canavial.

Na apresentação de 2025, a companhia informou que a variedade havia superado os padrões de comparação em 95% dos ensaios, com desempenho até 16% superior em toneladas de açúcar por hectare. O indicador considera o açúcar produzido na área, sendo diferente da medida de toneladas de cana por hectare utilizada na meta de produtividade.

A biotecnologia, por sua vez, busca evitar que perdas no campo comprometam esse potencial. A plataforma VerdPRO2 combina resistência à broca-da-cana com tolerância ao herbicida glifosato, permitindo proteger a cultura e facilitar o manejo de plantas daninhas.

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Em junho de 2026, o CTC anunciou o Programa Pioneiros, que leva a tecnologia a condições reais de cultivo, com acompanhamento técnico e coleta de dados. A iniciativa funciona como uma etapa de demonstração do desempenho e de avaliação do manejo nas propriedades.

Expansão para novas regiões ajuda a explicar o desafio

Para Werner Roger, CIO da Trígono Capital, parte da dificuldade de elevar a produtividade média da cana está relacionada à expansão da cultura para áreas com condições diferentes das regiões tradicionais.

“Não é que não houve melhoramento, o que houve foi uma migração para novas áreas, terras menos férteis”, afirmou ao Money Times.

Segundo o gestor, essas regiões exigem correção do solo e variedades adaptadas a diferentes condições de clima e chuva. Ele também lembra que a transição da colheita com queima para a mecanizada trouxe perdas iniciais, exigindo ajustes nas máquinas e nas operações.

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Nesse contexto, Roger vê nas sementes e na renovação das variedades uma oportunidade de reduzir custos e substituir canaviais de menor rendimento.

“Isso vai ter um ganho importante de produtividade substituindo cana antiga, com produtividade baixa por outras, com maior produtividade e eliminando os canteiros.”

O gestor explica que o sistema atual exige áreas destinadas à produção de mudas para renovar os canaviais. Com as sementes, essas áreas poderiam ser liberadas para a produção comercial.

Roger também considera possível ampliar a cultura sobre pastagens degradadas, sem ocupar áreas que competem com a produção de alimentos. Essa seria uma possibilidade adicional de crescimento: a meta do CTC se concentra em produzir mais por hectare, sem depender da expansão territorial.

Para onde iria o etanol adicional?

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Se o avanço tecnológico ampliar a oferta de cana e etanol, o desenvolvimento de mercados consumidores também ganhará importância.

Roger vê oportunidades além do abastecimento de automóveis. O gestor aponta a navegação e a produção de combustível sustentável de aviação, o SAF, como possíveis destinos para o etanol adicional.

“Existe um potencial enorme para a gente aumentar o consumo”, afirmou.

A expansão da demanda por etanol para além do abastecimento de automóveis pela população foi um dos principais temas debatidos na 9ª Conferência Nova Cana, que reuniu importantes nomes do setor. As discussões abordaram oportunidades no transporte pesado, na navegação e na produção de combustível sustentável de aviação (SAF), com potencial para abrir novos mercados para o setor.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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