2x o valor do Nubank: CEO da Revolut diz em que as fintechs são diferentes e como quer ganhar espaço no Brasil
É quase impossível não comparar Revolut e Nubank. As fintechs britânica e brasileira surgiram praticamente na mesma época, apoiadas em uma base tecnológica forte, oferecendo serviços inovadores e mirando quebrar a barreira de incumbentes tradicionais, tanto na Europa como no Brasil.
Nascida em 2015, em Londres, a Revolut atingiu em julho de 2026 uma avaliação de US$ 115 bilhões – para não perder o hábito da comparação, é praticamente o dobro do Nubank (US$ 74 bilhões).
Brincadeiras à parte, o CEO da Revolut no Brasil, Glauber Mota, diz que não se importa com as comparações, mas faz questão de ressaltar que as empresas têm modelos de negócios essencialmente diferentes.
“Eles [Nubank] começam no Brasil, se estabeleceram aqui, para depois expandir para algumas outras localidades. A gente optou por criar uma metodologia que permitisse crescer de imediato em vários e vários países e depois aprofundar em cada um deles”, afirma Mota em entrevista ao Money Minds, programa do Money Times no YouTube.
Hoje a Revolut está presente em mais de 40 países, com a ambição de chegar a 100.
Assista abaixo à entrevista na íntegra.
Os prós de chegar depois
O executivo reconhece, porém, que o Nubank teve papel importante na formação do mercado brasileiro de bancos digitais — inclusive para a própria Revolut, que chegou oficialmente ao país em maio de 2023.
Segundo Mota, quando o Nubank começou a crescer, o consumidor brasileiro ainda tinha resistência a confiar seu dinheiro a uma fintech e estava menos acostumado a resolver a vida financeira pelo aplicativo. Essa barreira, afirma, hoje já foi em grande parte superada.
“Nubank não há dúvida que é um case de sucesso aqui na região”, afirma Mota. “Ele foi por muito tempo tratado como benchmark.”
Para o executivo, a Revolut se beneficia do trabalho feito anteriormente pelo concorrente ao chegar a um mercado em que o consumidor já está familiarizado com serviços financeiros digitais.
Mercado em potencial
Outro ponto destacado pelo executivo é o crédito. A Revolut ainda tem uma exposição pequena nessa área em relação ao volume de depósitos, o que, na visão de Mota, deixa espaço para ampliar a operação no futuro.
“Tem que lembrar que a gente nem faz crédito ainda”, afirma. “Significa que a gente tem um potencial a ser destravado ainda muito maior para o futuro.”
Quem é seu público-alvo
A Revolut também não se enxerga necessariamente disputando o mesmo cliente do Nubank em todas as frentes.
Mota afirma que a fintech procura atender um público que está entre dois extremos do mercado financeiro brasileiro.
De um lado, estão consumidores no início da jornada financeira, para quem o crédito de curto prazo é uma das principais necessidades. De outro, clientes de alta renda acostumados a atendimento personalizado.
A Revolut mira, segundo o executivo, um consumidor que prefere o autosserviço e é sensível a preço, mas também quer benefícios que historicamente ficaram restritos aos clientes de maior renda.
Em vez de concentrar a estratégia em uma única vertical, a Revolut busca reunir diferentes serviços financeiros em uma mesma plataforma.
No Brasil, isso significa competir em algumas frentes com bancos digitais e incumbentes, em outras com casas de câmbio, corretoras e até cartões de crédito premium.
“No câmbio, eu estou competindo com as casas que fazem câmbio mais barato”, diz Mota. Nos pagamentos do dia a dia, a disputa inclui bancos tradicionais e digitais. Já no segmento de cartões premium, a concorrência é com produtos voltados à alta renda.
Brasil como teste para a estratégia global
A disputa com empresas brasileiras também tem uma função maior na estratégia da Revolut. Mota afirma que o Brasil é um mercado importante não apenas pelo tamanho, mas porque serve como laboratório para a operação global.
O país tem uma das infraestruturas de pagamentos mais desenvolvidas, com o Pix como principal exemplo, e um consumidor considerado receptivo a novas tecnologias. Ao mesmo tempo, é um dos mercados mais competitivos para serviços financeiros digitais.
“Querer vencer no Brasil significa provar um case de negócio muito relevante”, afirma o CEO.
Por isso, a ambição da operação brasileira não é apenas conquistar uma fatia do mercado local. Mota afirma que gostaria de ver o Brasil entre os três ou cinco principais mercados da Revolut nos próximos anos — uma ambição pessoal, segundo ele, e não uma meta oficial da companhia.
Na prática, portanto, a competição com o Nubank é apenas uma parte da estratégia. A Revolut quer disputar diferentes verticais do sistema financeiro ao mesmo tempo, mas usando como principal argumento a combinação de serviços globais, câmbio, investimentos e benefícios.
“Se você misturar isso tudo, espalhar no mundo inteiro, é isso que a Revolut está fazendo”, resume Mota.