3tentos (TTEN3): BTG e XP veem 4T25 misto; despesas logísticas pressionam resultados
A 3tentos (TTEN3) reportou uma queda de 39,4% no seu lucro líquido do quarto trimestre de 2025 (4T25), que totalizou R$ 82,3 milhões.
Na avaliação do BTG Pactual, o trimestre trouxe sinais mistos. Por um lado, a companhia apresentou receita e lucro bruto ajustado por hedge ligeiramente acima das estimativas. Por outro, o Ebitda reportado, de R$ 237 milhões, ficou 16% abaixo da projeção do banco, refletindo principalmente o maior peso das despesas com vendas, gerais e administrativas.
A dívida líquida permaneceu praticamente estável em relação ao terceiro trimestre de 2025. Segundo o BTG, uma liberação de R$ 305 milhões em capital de giro ajudou a compensar o capex ainda elevado, ligado à expansão da capacidade de esmagamento de soja, à construção da planta de etanol de milho e à abertura de novas lojas. Com isso, a companhia encerrou o ano com dívida líquida/Ebitda ajustado de 1,9 vez.
O principal ponto negativo, segundo os analistas Thiago Duarte, Guilherme Guttilla e Bruno Henriques, foi o avanço dos custos logísticos. “As despesas de frete, armazenagem e expedição por tonelada subiram cerca de 60% na comparação anual e chegaram a representar 21% das receitas de grãos e farelo de soja”, afirmam.
Apesar da pressão de custos ter reacendido preocupações sobre o ritmo de crescimento, o BTG manteve sua tese de investimento de longo prazo. O banco destaca um ROIC médio de 21%, valuation de cerca de 10 vezes o lucro projetado para 2026 e expectativa de crescimento anual composto do lucro acima de 20% nos próximos três anos. A recomendação segue sendo de compra, com preço-alvo de R$ 26.
XP vê resultados mistos, mas mantém ação como top pick
Para a XP Investimentos, os números também vieram mistos. A casa destacou o bom desempenho da divisão de insumos agrícolas, mas apontou que os custos logísticos mais elevados pressionaram as margens no trimestre. Ainda assim, a corretora mantém a 3tentos como top pick do setor, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 23,60.
As despesas logísticas representaram 9,8% da receita líquida, alta de 5,2 pontos percentuais na comparação anual, levando as despesas de vendas a um nível recorde de 13,9% da receita.
Segundo a companhia, o avanço desses custos está ligado principalmente à maior participação de farelo de soja e milho nas vendas e ao aumento do frete após a revisão da tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Apesar da pressão sobre margens, o lucro líquido reportado ficou acima de algumas projeções do mercado. Já o consumo de caixa, de cerca de R$ 21 milhões, foi menor que estimativas mais pessimistas.
Entre os destaques positivos, a divisão de insumos agrícolas apresentou forte desempenho. A margem do segmento atingiu 23,2%, o maior nível desde o fim de 2022, levando o lucro bruto da área a ficar cerca de 17% acima das estimativas.
Além disso, a empresa informou que, nos dois primeiros meses de 2026, a receita da unidade cresce cerca de 36% na comparação anual, movimento que pode levar a revisões positivas nas projeções para o segmento.