Política

“A gente não vai ver essa discussão na eleição; isso não ganha voto”, diz Bruno Funchal sobre ajuste fiscal

29 set 2026, 11:55
Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset e ex-secretário do Tesouro Nacional (Imagem: Youtube)

O ajuste das contas públicas deve entrar na agenda de quem assumir a Presidência em 2027, mas dificilmente será debatido em detalhes durante a campanha. Esta é a avaliação de Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset e ex-secretário do Tesouro Nacional.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A gente não vai ver essa discussão na eleição. Isso não ganha voto”, disse Funchal nesta terça-feira (29), durante painel promovido pela TAG Investimentos em parceria com o podcast Market Makers, parceiro do Money Times. Ele se referia a possíveis mudanças nas regras que determinam o crescimento de despesas obrigatórias do governo federal.

Segundo o executivo, o orçamento federal tem pouca margem para que um governo altere a distribuição de recursos entre áreas ou contenha o avanço dos gastos. Na avaliação dele, um pacote fiscal mínimo para 2027 poderia incluir a revisão na forma de cálculo dos pisos de saúde e educação e de despesas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Funchal apresentou essas medidas como possibilidades em discussão, não como propostas anunciadas pelos candidatos. Ele disse que o desenho da política fiscal para o próximo mandato ainda está indefinido: “Está mais nebuloso”, afirmou, ao comparar o cenário atual com o da eleição de 2022.

Salário mínimo fora da conversa

A regra de reajuste do salário mínimo também apareceu na análise de Funchal. Como o piso serve de referência para benefícios previdenciários e assistenciais, sua correção tem efeito sobre as despesas federais. O projeto de Orçamento de 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741, com aumento real estimado em 2,3%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar desse impacto, Funchal afirmou que não vê disposição para incluir uma revisão da regra no debate eleitoral. “Ninguém fala do salário mínimo, mesmo a portas fechadas”, disse.

Para o CEO da Bradesco Asset, a condução de qualquer ajuste dependerá diretamente do presidente eleito. “Quem é que faz ajuste fiscal? É o chefe do Executivo, presidente da República, e os governos dos Estados. Não é o ministro, não é o secretário”, afirmou. Segundo ele, caberia à liderança do próximo governo apresentar as medidas à população e buscar sua aprovação no Congresso.

A discussão ocorre enquanto o projeto de Orçamento de 2027 tramita com previsão de superávit primário de R$ 18,6 bilhões, considerando todas as receitas e despesas primárias, sem descontos. O texto enviado pelo governo prevê R$ 272,2 bilhões para a saúde e R$ 141,2 bilhões para a educação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar