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A grande alteração foi no pré-fixado’: juros altos recolocam pós-fixados no centro das atenções, avalia analista da Empiricus

03 jul 2026, 10:25 - atualizado em 03 jul 2026, 8:26
Onde Investir - Renda Fixa - segundo semestre 2026
Alexandre Miller, sócio e gestor responsável pelos fundos de crédito privado da Leto Capital e Laís Costa, analista da Empiricus (Imagem: Onde Investir - Youtube do Seu Dinheiro)

Com a perspectiva de juros elevados por mais tempo e um cenário macroeconômico cercado por incertezas, os títulos públicos voltaram a ganhar protagonismo na renda fixa.

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Na avaliação dos especialistas, o Tesouro Selic segue como a opção mais defensiva para quem quer carregar caixa com menor volatilidade, os prefixados perderam parte da atratividade com a redução das expectativas de cortes da Selic e os papéis indexados à inflação continuam oferecendo uma relação risco-retorno interessante.

Durante o painel de renda fixa do evento Onde Investir, promovido pelo Seu Dinheiro, a analista da Empiricus, Laís Costa, afirmou que a principal mudança ocorreu justamente na comparação entre títulos prefixados e pós-fixados.

“A grande alteração foi no pré-fixado. Hoje o pós-fixado acaba ficando mais atrativo nesse ambiente de incerteza”, afirmou.

Segundo a especialista, no início do ano o mercado esperava um ciclo mais intenso de cortes da Selic, cenário que favorecia aplicações prefixadas, já que a queda dos juros elevaria o preço desses papéis. No entanto, a combinação entre inflação persistente, deterioração das expectativas fiscais, riscos geopolíticos e a proximidade das eleições reduziu o espaço para um afrouxamento monetário mais intenso, tornando os títulos atrelados à Selic novamente mais competitivos.

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Apesar dessa mudança, Costa pondera que os títulos públicos indexados à inflação seguem oferecendo oportunidades relevantes, especialmente para investidores com horizonte de médio prazo. Na avaliação dela, os juros reais continuam em níveis historicamente elevados, o que mantém o prêmio desses ativos atrativo.

“A simetria continua positiva para os títulos IPCA+”, ressaltou durante a sua participação no evento online.

Ela destaca que o principal atrativo está nos vencimentos intermediários, onde o investidor ainda encontra um prêmio considerado elevado. “Você tem um juro real atrativo nesse nível de 8%, principalmente no meio da curva”.

Já os títulos mais longos perderam parte do apelo. Segundo a analista, a inclinação da curva de juros hoje não remunera adequadamente o risco adicional de carregar vencimentos muito distantes.

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“A parte mais longa da curva não está com prêmio de duration. Você não está sendo remunerado por segurar o título por mais tempo.”

Macroeconomia e juros altos

No início do ano, a expectativa era de um ciclo mais intenso de cortes da Selic. Hoje, porém, o cenário é outro. Segundo a analista da Empiricus, a expectativa da casa é de apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual antes de uma pausa no ciclo.

“A gente acha que o Banco Central está propenso a cortar. Ele quer cortar, apesar da gente não achar que existe um espaço técnico quando você olha a inflação”, afirmou.

A leitura é compartilhada por Alexandre Miller, sócio e gestor responsável pelos fundos de crédito privado da Leto Capital. Para ele, a política fiscal adotada pelo governo praticamente elimina a possibilidade de uma queda consistente dos juros no curto prazo.

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“Com a escolha de política fiscal que a gente tem hoje do governo, resta pouca dúvida de que a gente vai conviver com juros altos, pelo menos pelos próximos 12 meses”, afirmou.

Na visão do gestor, o mercado deve permanecer convivendo com uma Selic próxima de 14%, com pequenas oscilações, mas sem mudanças estruturais no horizonte de curto prazo. Segundo Miller, a manutenção de estímulos fiscais em um ambiente pré-eleitoral tende a limitar o espaço para cortes mais profundos da taxa básica.

Crédito privado atravessa o ciclo com maior resiliência

O cenário de juros elevados também afeta o mercado de crédito privado, mas, na avaliação de Miller, os impactos desta vez têm sido mais moderados do que no ciclo anterior de aperto monetário.

O gestor lembrou que o aumento dos juros naturalmente aperta as condições de crédito, reduzindo o consumo e os investimentos, mas destacou que os eventos recentes tiveram efeito bem menor sobre o mercado do que aqueles observados em 2023.

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Segundo ele, os episódios registrados desde o fim do ano passado impactaram cerca de 0,6% do retorno do índice IDEX CDI, enquanto, no ciclo anterior, marcado por casos como Americanas e Light, o impacto chegou a aproximadamente 3,7%.

Miller avalia que a maior preocupação hoje está concentrada nas famílias e nas pequenas e médias empresas, que sofrem mais diretamente com o custo elevado do crédito. Já entre as grandes companhias, o cenário permanece relativamente resiliente.

“Grande empresa, em geral, quebra por problema de governança ou por má decisão de investimento, não por causa da Selic”, afirmou.

Para o gestor, os casos recentes de deterioração de crédito foram pontuais e ligados principalmente a problemas específicos de gestão ou alocação de capital, e não a uma deterioração generalizada da qualidade de crédito das grandes empresas brasileiras.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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