Ibovespa cai pela 10ª sessão seguida com incertezas domésticas e bancos; dólar recua
O Ibovespa (IBOV), após sessão marcada pela volatilidade, fechou em ligeira baixa, marcando a décima queda consecutiva do índice, a pior sequência desde 2023. O setor de bancos recuou em bloco no pregão com a notícia de recuperação judicial da varejista Casas Bahia (BHIA3).
Nesta segunda-feira (17), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 0,09%, aos 166.783,57 pontos.
Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,2012, em queda de 0,36%.
Por aqui, os investidores avaliaram o dado mais fraco do que o esperado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), com recuo de 0,6%, ante mediana de queda de 0,5% da pesquisa Projeções Broadcast.
O dado reforça a leitura de perda de tração da atividade econômica e a expectativa de moderação do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2026 (2T26).
No cenário eleitoral, a nova pesquisa BTG Pactual/Nexus mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem 44% em um eventual segundo turno.
Na avaliação do economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, o Ibovespa tem mostrado incapacidade de se beneficiar da queda dos juros doméstica, com a Selic em 14% ao ano.
“O índice fica refém das incertezas eleitorais e da trajetória fiscal, somadas ao desfecho ainda indefinido do conflito no Oriente Médio, combinação que mantém o capital estrangeiro afastado da bolsa”, afirma.
Altas e quedas do Ibovespa
Hoje, o Índice Financeiro (IFNC) tombou 1,49% diante da notícia de pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, após apresentar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
A Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, teve ganho de 0,15%, a R$ 71,41, na contramão do minério de ferro na bolsa de Dalian, que recuou 0,7%, cotado a 706,5 yuans (US$ 104,79).
Ainda entre as “peso-pesado” do índice, as ações da Petrobras (PETR4;PETR3) fecharam em alta, em linha com o avanço Brent. PETR3 saltou 1,35% (R$ 47,46) e PETR4 teve ganho de 0,90% (R$ 42,47).
Bancos, Petrobras e Vale correspondem a 50% da carteira do IBOV.
A ponta negativa do Ibovespa foi liderada pela Suzano (SUZB3), com queda de 3,45% (R$ 40,58).
Já a ponta positiva foi encabeçada pela Magazine Luiza (MGLU3), que saltou 8,18% (R$ 4,23), após o tombo de 33% da Casas Bahia (BHIA3) com o pedido de recuperação judicial.
Para os analistas do JP Morgan, a situação da Casas Bahia pode favorecer a concorrência.
“Analisando o impacto potencial no nível de ações individuais, acreditamos que isso deve se traduzir em uma posição competitiva mais favorável para o Magazine Luiza, especialmente no canal físico, onde a Casas Bahia é uma concorrente-chave com escala semelhante”, disseram em relatório.
- Leia mais: Por que a crise da Casas Bahia (BHIA3) fez a ação do Magalu (MLGU3) disparar 7% nesta segunda (17)
Exterior
Os índices de Wall Street fecharam em baixa com o avanço do petróleo e dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, pressionando os ativos de renda variável. O Treasury de 30 anos superou os 5,3%, a maior marca desde 2007.
Além disso, no cenário geopolítico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou bombadear Omã, caso o país fique no meio do caminho dos planos norte-americanos para o Estreito de Ormuz.
Trump disse ainda que os EUA não estão buscando uma prorrogação do memorando de entendimento com o Irã.
Já Teerã ameaçou mudar sua política para “totalmente ofensiva”, se as negociações diplomáticas com os Estados Unidos não avançarem.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,51%, aos 53.459,78 pontos;
- S&P 500: -0,52%, aos 7.745,06 pontos;
- Nasdaq: -0,32%, aos 26.644,911 pontos.
Na Europa, os mercados terminaram majoritariamente em baixa de olho no conflito no Oriente Médio. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 0,22%, aos 656,41 pontos.
Na Ásia, os índices fecharam sem direção única: o índice Nikkei, do Japão, subiu 0,74%, aos 69.220,25 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong teve alta de 1,34%, aos 25.453,23 pontos.