Bancos

Casas Bahia (BHIA3): Os dois bancos mais expostos a dívidas de R$ 17,3 bilhões

17 ago 2026, 17:15 - atualizado em 17 ago 2026, 17:30
Casas Bahia
(Imagem: Divulgação)

A Casas Bahia (BHIA3) entrou com pedido de recuperação judicial com dívida de R$ 17 bilhões, o que significa que deixará seus credores de mão vazia, pelo menos neste primeiro momento.

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Isso também inclui os bancos, que já não vivem um cenário favorável quando o assunto é inadimplência.

No segundo trimestre, as instituições elevaram as provisões, colchão usado para se proteger de calotes. Também viram seus índices de inadimplência piorarem. Agora, a RJ da varejista entra como mais um fator de risco.

De acordo com a lista de credores, o Bradesco (BBDC4) é o banco mais exposto, com R$ 1,5 bilhão, que, somado ao controlado Banco Digio, chega a R$ 4,8 bilhões. Em segundo está o Banco do Brasil (BBSA3), com R$ 2,9 bilhões.

Ao todo, são R$ 13,2 bilhões de dívidas com o setor financeiro.

Fator de risco

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Na bolsa, ambos os bancos caíam. Por volta das 16h49, a ação do Banco do Brasil tinha queda de 2,18%, a R$ 17,97, enquanto o Bradesco caía 1,93%, a R$ 16,22.

Segundo um gestor que conversou com o Money Times, não é um impacto material individualmente, mas se soma às dificuldades das duas instituições.

“A frequência de casos públicos em que os dois aparecem é alta. Então, gera receio de que outros aconteçam no futuro”, destaca.

Ainda segundo o gestor, provisionar preventivamente no atacado é mais difícil e gera mais receio de uma pressão futura sobre PDD (Provisão para Devedores Duvidosos), lucro e, daí, capital.

Por que a Casas Bahia pediu recuperação judicial?

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A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial após anos de pressão sobre o caixa, em meio a juros elevados, queda do consumo, aumento da inadimplência e forte endividamento.

Segundo a companhia, a crise também foi agravada por investimentos realizados em tecnologia, logística e marketplace, além dos impactos da pandemia.

A varejista já havia adotado medidas de reestruturação, como fechamento de lojas, redução de funcionários, estoques e investimentos.

Em 2023, foram fechadas 55 lojas deficitárias e cortados cerca de 8.600 postos de trabalho. A empresa também recorreu anteriormente a uma recuperação extrajudicial para alongar seu passivo financeiro, mas afirma que a piora do cenário macroeconômico manteve as dificuldades.

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Agora, um dos principais riscos está no vencimento antecipado de contratos.

A Casas Bahia afirma que existem contratos com cláusulas de cross-default, ipso facto e outros covenants que poderiam tornar exigíveis imediatamente mais de R$ 10 bilhões. Entre os credores que já enviaram notificações estão Hisense Gorenje, Lenovo, FIDC Bio-Stars e FII-RL HSI Logística.

A companhia também teme que credores retenham recebíveis dados em garantia, comprometendo até 60% do fluxo mensal de entradas. Na avaliação da empresa, isso poderia esvaziar o caixa em poucos dias e prejudicar pagamentos a fornecedores, funcionários e demais despesas operacionais.

Por isso, a Casas Bahia pede proteção judicial para suspender cobranças e execuções, evitar o vencimento antecipado das dívidas, preservar recebíveis e estoques e manter contratos essenciais.

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A estratégia é ganhar tempo para reorganizar o passivo sem interromper as vendas e, consequentemente, a geração de caixa necessária para a recuperação da companhia.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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