Casas Bahia (BHIA3): Os dois bancos mais expostos a dívidas de R$ 17,3 bilhões
A Casas Bahia (BHIA3) entrou com pedido de recuperação judicial com dívida de R$ 17 bilhões, o que significa que deixará seus credores de mão vazia, pelo menos neste primeiro momento.
Isso também inclui os bancos, que já não vivem um cenário favorável quando o assunto é inadimplência.
No segundo trimestre, as instituições elevaram as provisões, colchão usado para se proteger de calotes. Também viram seus índices de inadimplência piorarem. Agora, a RJ da varejista entra como mais um fator de risco.
De acordo com a lista de credores, o Bradesco (BBDC4) é o banco mais exposto, com R$ 1,5 bilhão, que, somado ao controlado Banco Digio, chega a R$ 4,8 bilhões. Em segundo está o Banco do Brasil (BBSA3), com R$ 2,9 bilhões.
Ao todo, são R$ 13,2 bilhões de dívidas com o setor financeiro.
Fator de risco
Na bolsa, ambos os bancos caíam. Por volta das 16h49, a ação do Banco do Brasil tinha queda de 2,18%, a R$ 17,97, enquanto o Bradesco caía 1,93%, a R$ 16,22.
Segundo um gestor que conversou com o Money Times, não é um impacto material individualmente, mas se soma às dificuldades das duas instituições.
“A frequência de casos públicos em que os dois aparecem é alta. Então, gera receio de que outros aconteçam no futuro”, destaca.
Ainda segundo o gestor, provisionar preventivamente no atacado é mais difícil e gera mais receio de uma pressão futura sobre PDD (Provisão para Devedores Duvidosos), lucro e, daí, capital.
Por que a Casas Bahia pediu recuperação judicial?
A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial após anos de pressão sobre o caixa, em meio a juros elevados, queda do consumo, aumento da inadimplência e forte endividamento.
Segundo a companhia, a crise também foi agravada por investimentos realizados em tecnologia, logística e marketplace, além dos impactos da pandemia.
A varejista já havia adotado medidas de reestruturação, como fechamento de lojas, redução de funcionários, estoques e investimentos.
Em 2023, foram fechadas 55 lojas deficitárias e cortados cerca de 8.600 postos de trabalho. A empresa também recorreu anteriormente a uma recuperação extrajudicial para alongar seu passivo financeiro, mas afirma que a piora do cenário macroeconômico manteve as dificuldades.
Agora, um dos principais riscos está no vencimento antecipado de contratos.
A Casas Bahia afirma que existem contratos com cláusulas de cross-default, ipso facto e outros covenants que poderiam tornar exigíveis imediatamente mais de R$ 10 bilhões. Entre os credores que já enviaram notificações estão Hisense Gorenje, Lenovo, FIDC Bio-Stars e FII-RL HSI Logística.
A companhia também teme que credores retenham recebíveis dados em garantia, comprometendo até 60% do fluxo mensal de entradas. Na avaliação da empresa, isso poderia esvaziar o caixa em poucos dias e prejudicar pagamentos a fornecedores, funcionários e demais despesas operacionais.
Por isso, a Casas Bahia pede proteção judicial para suspender cobranças e execuções, evitar o vencimento antecipado das dívidas, preservar recebíveis e estoques e manter contratos essenciais.
A estratégia é ganhar tempo para reorganizar o passivo sem interromper as vendas e, consequentemente, a geração de caixa necessária para a recuperação da companhia.