A nova estratégia da Moura Dubeux (MDNE3) e o foco no MCMV, segundo a diretora comercial
A Moura Dubeux (MDNE3) deu um passo estratégico ao criar a MDNE – Moura Dubeux Negócios de Excelência –, “empresa-mãe” que passou a concentrar a identidade corporativa do grupo e a organizar suas três marcas principais.
Segundo a diretora comercial da companhia, Eduarda Dubeux, o principal gatilho para a restruturação foi a criação da Ún1ca, unidade de negócios voltada ao segmento econômico da indústria imobiliária.
“Quando resolvemos lançar a Ún1ca, percebemos que era um produto muito distante das bandeiras Moura Dubeux e Mood. Vimos, então, a necessidade de criar uma marca corporativa que representasse o grupo todo, para que cada frente pudesse atuar de forma mais específica, sem misturar posicionamento e público-alvo”, afirmou a executiva, em entrevista ao Money Times.
A expectativa é de que, com a mudança, o portfólio da companhia passe a ser dividido – e visto pelo mercado – de forma mais clara:
- Moura Dubeux, marca focada em alto padrão e luxo;
- Mood, voltada à média renda;
- Ún1ca, dedicada ao segmento econômico e, em especial, ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Proteção de posicionamento
De acordo com a diretora, a reorganização também tem como objetivo evitar ruídos na percepção do consumidor final.
“Se não tivéssemos um grupo corporativo consolidando as três frentes, o cliente que compra um imóvel econômico poderia associá-lo diretamente à unidade Moura Dubeux, o que pode acabar desvalorizando uma marca de luxo”, afirmou.
Na visão de Eduarda, o modelo segue uma estrutura já adotada por outras incorporadoras listadas na bolsa de valores, como MRV&Co (MRVE3), Cyrela (CYRE3) e Direcional (DIRR3) — esta última parceira da MDNE em uma joint venture (JV) voltada ao desenvolvimento de empreendimentos do MCMV.
No caso da MRV&Co, o grupo reúne diversas marcas de diferentes segmentos da indústria imobiliária, como MRV (econômico), Sensia (médio e alto padrão), Luggo (aluguel), Urba (loteamentos) e Resia (operação nos Estados Unidos).
Já o Grupo Direcional atua principalmente por meio da Direcional Engenharia, focada em habitação popular, e da Riva Incorporadora, voltada à classe média.
“Quando, por exemplo, um corretor vendia um imóvel econômico da Ún1ca e dizia que era da Moura Dubeux, isso gerava confusão. Agora, a Ún1ca é um produto da MDNE, que é a empresa-mãe, enquanto a Moura Dubeux é a marca comercial”, reforçou a diretora, apontando que o estudo da restruturação começou em outubro de 2024.
Segundo ela, cada marca passa a ter um propósito bem definido: a Moura Dubeux busca “entregar o memorável”, a Mood foca em “produtos inteligentes”, enquanto a Ún1ca representa “a conquista” da casa própria.
“Estrutura eficiente”
A executiva ainda destacou que a criação da MDNE não tem, neste momento, foco em redução de custos mensuráveis. O principal ganho está na eficiência operacional, com uma operação corporativa que já atende as três unidades.
“Hoje, Mood e Moura Dubeux já trabalham praticamente com a mesma equipe. Essa estrutura eficiente passa agora a atender também a Ún1ca, sem a necessidade de um aumento relevante de pessoal”, afirmou.
Expansão no MCMV
A MDNE está sob os holofotes desde a última semana após captar R$ 482,6 milhões com a emissão de 19,3 milhões de novas ações ordinárias em uma oferta pública.
A companhia pretendia levantar R$ 250 milhões, mas a operação previa a possibilidade de ampliação diante da forte demanda dos investidores – e teve, especialmente dos estrangeiros, que subscreveram 6,3 milhões de papéis, quase um terço do total.
Ao ser questionada sobre o uso dos recursos, Eduarda disse que não será destinado à implementação da empresa-mãe, mas, sim, para acelerar a expansão da marca Ún1ca, especialmente em parceria com a Direcional, em meio ao bom momento do Minha Casa, Minha Vida no país.
“Essa captação é para investimento na terceira marca, a Ún1ca. Para a MDNE, mantivemos a estrutura corporativa que já existia, sem grandes mudanças.”
De acordo com a diretora, há estudos em andamento para aquisição de terrenos em capitais nordestinas, como Salvador, Fortaleza, Recife, Maceió e Natal, com foco na expansão do grupo no segmento de baixa renda.
O momento do programa habitacional
O movimento ocorre em um cenário de forte desempenho do programa habitacional. Entre 2023 e 2025, 2,1 milhões de unidades foram contratadas no Brasil por meio do Minha Casa, Minha Vida, segundo dados do governo federal.
O Sudeste lidera em número de contratos, com 870,5 mil unidades, seguido pelo Nordeste, principal região de atuação do grupo Moura Dubeux, com 557,3 mil.
Além disso, indicadores da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram que o setor imobiliário atingiu um recorde histórico de lançamentos em 2025, antes mesmo do encerramento do ano, impulsionado diretamente pelo MCMV.
Até outubro do ano passado, o volume de imóveis lançados havia crescido 34,6% em relação a 2024, estimulado pelo avanço de 38,6% nas unidades ligadas ao programa de habitação popular.