A nova queridinha do BTG Pactual no setor petróleo e gás – e não é PETR4 e PRIO3
O apetite dos investidores por ações do setor de petróleo e gás está mudando de rota. Se antes nomes como Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3) concentravam a maior parte das atenções, agora o radar do mercado começa a apontar para uma empresa menos óbvia: a OceanPact (OPCT3), especializada em serviços marítimos.
Essa é a principal leitura do BTG Pactual após uma rodada de reuniões com 36 clientes no Rio de Janeiro para discutir as perspectivas do setor.
Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (22), o tom predominante entre os investidores foi de cautela, em meio às negociações por um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O cenário trouxe pressão sobre as expectativas para o petróleo e reduziu o apetite por empresas mais diretamente expostas às oscilações da commodity.
A avaliação é que Petrobras, Prio e até mesmo as distribuidoras de combustíveis perderam espaço entre as preferências dos investidores, enquanto a OceanPact despertou interesse, causando surpresa devido sua menor capitalização de mercado.
No pregão de hoje, as petroleiras operam com volatilidade enquanto o mercado avalia a situação no Oriente Médio.
Por volta das 12h07 (de Brasília), PETR4 subia 0,28% no Ibovespa, cotada a R$ 38,91, e PETR3 recuava 0,07%, a R$ 43,31. No mesmo horário, PRIO3 tinha queda de 0,89%, a R$ 56,72, e OPCT3 caía 1,11%, cotada a R$ 9,83.
Petróleo mais fraco pesa sobre a Petrobras
O BTG Pactual afirma que o sentimento em relação à Petrobras permanece entre negativo e neutro.
Embora muitos investidores ainda mantenham posição na estatal, em razão de seu peso de aproximadamente 12% no Ibovespa, a maioria está abaixo da participação de referência (underweight), enquanto alguns fundos mantêm posições vendidas.
Segundo o banco, esse posicionamento reflete principalmente o fluxo recente de notícias sobre um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, e não fatores específicos da companhia.
A expectativa predominante é que, caso o conflito realmente chegue ao fim, o mercado volte a registrar excedente de oferta de petróleo no segundo semestre de 2026, pressionando ainda mais as cotações do Brent — a referência internacional do mercado de petróleo.
Nesse cenário, os investidores passaram a demonstrar maior cautela com a Petrobras por três razões: menor geração de fluxo de caixa livre com o Brent abaixo de US$ 75 por barril, preocupações contínuas com a alocação de capital da companhia e ausência de notícias positivas no cenário político e eleitoral.
Por outro lado, o BTG destaca que o aumento do capital de giro relacionado ao programa de subvenção aos combustíveis não aparece entre as principais preocupações dos investidores. A expectativa é que o governo continue realizando os pagamentos nos próximos meses.
O banco também observou um interesse crescente na operação entre PETR4 e PETR3, diante da possibilidade de encerramento da venda de ações da Petrobras pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), eliminando um fator técnico que vinha pressionando os papéis.
Prio perde o status de consenso entre investidores
A Prio também deixou de ser a escolha quase unânime entre os investidores acompanhados pelo BTG Pactual.
Apesar de a maioria continuar avaliando positivamente a empresa e sua administração, além de enxergar com bons olhos uma eventual política de dividendos no curto prazo, parte dos investidores passou a demonstrar preocupação com a volatilidade operacional recente.
Na avaliação do banco, esse aumento da volatilidade não representa uma mudança estrutural, mas sim uma característica compatível com a atuação offshore e com o portfólio concentrado da companhia.
Ainda assim, a consequência foi uma redução de exposição por parte de investidores que já possuíam posição, enquanto muitos preferem aguardar um momento mais favorável para voltar às compras.
Entre as demais produtoras independentes, a Brava Energia (BRAV3) segue cercada por expectativas de que a colombiana Ecopetrol assuma o controle da companhia, embora as incertezas sobre a estratégia futura para os ativos impeçam uma visão mais definida.
Já a PetroReconcavo (RECV3) despertou pouco interesse, diante da ausência de catalisadores visíveis para crescimento.
OceanPact surpreende e vira destaque das reuniões
Se Petrobras e Prio perderam parte do protagonismo, a OceanPact foi a surpresa positiva da rodada de encontros.
Segundo o BTG Pactual, a companhia gerou um nível de interesse desproporcional ao seu valor de mercado e, em pelo menos uma das reuniões, dominou boa parte da conversa.
A empresa passou a ser vista como uma forma de ganhar exposição ao ciclo de serviços offshore sem assumir diretamente os riscos de exploração e produção de petróleo.
O principal obstáculo apontado pelos investidores continua sendo a baixa liquidez das ações. Para alguns grandes fundos, esse fator, por si só, impede qualquer investimento na companhia.
Mesmo assim, investidores que já acompanham a OceanPact avaliam ampliar suas posições, enquanto aqueles que venderam os papéis anteriormente se dividem entre considerar que a valorização das diárias já está refletida no preço da ação ou demonstrar preocupação com a diluição do controlador após a fusão com a CBO Holding.
Distribuidoras seguem no radar, mas sem grande entusiasmo
O segmento de distribuição de combustíveis também registrou interesse limitado, mesmo com margens mais fortes no segundo trimestre de 2026.
Dentro do setor, a Vibra (VBBR3) continua sendo a favorita dos investidores. Segundo o BTG Pactual, o mercado ainda subestima o potencial das margens estruturais da companhia, favorecida por seu perfil de empresa focada exclusivamente na distribuição de combustíveis.
Já a Ultrapar (UGPA3) divide opiniões. As principais críticas continuam relacionadas às decisões de alocação de capital em um ambiente de juros elevados, embora parte dos investidores siga confiante na qualidade da gestão.
O banco observa que alguns gestores começaram a reconstruir posições nas distribuidoras após a recente queda das ações, mas a convicção ainda é baixa enquanto não houver maior clareza sobre a sustentabilidade das margens do setor.