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A palavra-chave que dita o ritmo de concessão de crédito do Itaú BBA na nova safra, segundo diretor de agronegócio

02 jul 2026, 11:44 - atualizado em 02 jul 2026, 11:44
agronegócio itaú bba
(Foto: Divulgação)

A safra 2026/27 deve ser marcada por um ambiente de crédito mais criterioso para o agronegócio.

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Segundo Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do Itaú BBA, a palavra que deve orientar as decisões dos financiadores ao longo do ciclo é “seletividade”, reflexo de um cenário em que margens continuam pressionadas, juros elevados e aumento da inadimplência desafiam o caixa dos produtores.

Durante a 12ª edição do Agro em Pauta, encontro promovido pelo Itaú BBA, Fernandes afirmou que boa parte dos desafios observados na safra 2025/26 permanecem para o próximo ciclo. O executivo lembra que muitos produtores investiram durante o período de juros baixos e elevada rentabilidade e agora enfrentam um ambiente completamente diferente, com preços mais fracos para as commodities, custos ainda elevados e despesas financeiras consumindo parcela significativa do resultado operacional.

“Os produtores vêm de um cenário de investimento elevado, numa época de margens elevadas e juros muito baixos, e passaram para um cenário de margens muito pressionadas e juros altos”, afirmou.

Segundo ele, o Itaú BBA já observa um aumento da inadimplência no encerramento da safra 2025/26 em comparação ao ciclo anterior, tendência que exige maior rigor na análise de crédito para a próxima temporada.

Crédito continuará crescendo

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Apesar do ambiente mais desafiador, Fernandes destacou que o banco continua comprometido com o financiamento do setor e projeta crescimento de aproximadamente 10% da carteira de crédito em 2026/27, desconsiderando os efeitos da variação cambial. O avanço, porém, será concentrado em clientes considerados mais resilientes financeiramente.

O avanço, porém, não significa afrouxamento dos critérios de concessão.

Segundo ele, produtores mais alavancados — especialmente aqueles com elevada participação de áreas arrendadas — deverão enfrentar maior dificuldade para acessar recursos.

Rentabilidade perde força

Fernandes também observa que praticamente todas as cadeias produtivas convergiram para um cenário de menor rentabilidade. Enquanto café e pecuária ainda preservam margens relativamente favoráveis, segmentos como soja, milho, cana-de-açúcar, aves e suínos passaram a enfrentar condições mais desafiadoras do que na safra anterior.

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O executivo ressaltou ainda que o início do ano-safra é um período decisivo para o produtor, quando são definidas estratégias de compra de fertilizantes, adoção de tecnologia, rotação de culturas e comercialização da produção. Em sua visão, essas escolhas serão ainda mais importantes em um ambiente de custos elevados e maior restrição ao crédito.

“Continuamos acreditando no agronegócio no longo prazo, mas, no curto prazo, vemos uma série de desafios de financiabilidade”.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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