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MBRF (MBRF3): pior ficou para trás? Bancos veem margens resilientes, enquanto caixa e alavancagem limitam otimismo

14 ago 2026, 12:51
mbrf mbrf3 Carnes exportações china carne bovina
(Foto: Reuters/Jose Luis Gonzalez)

A MBRF (MBRF3) entregou um segundo trimestre de 2026 considerado resiliente pelos analistas, com a força da BRF e das operações de carne bovina na América do Sul compensando a rentabilidade ainda pressionada da National Beef, nos Estados Unidos.

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Para BTG Pactual, BB Investimentos e XP, porém, o balanço ainda não é suficiente para mudar a percepção sobre as ações. A elevada alavancagem e, principalmente, a dificuldade da companhia em converter o desempenho operacional em geração de caixa continuam no centro das preocupações. Por volta de 12h15 desta sexta-feira (14), as ações avançavam 0,55%.

Os três bancos mantêm recomendação neutra para MBRF3. O BTG tem preço-alvo de R$ 26, enquanto o BB-BI trabalha com R$ 26,20 para o final de 2026. A XP é mais conservadora, com alvo de R$ 20,90.

No segundo trimestre, a MBRF registrou receita líquida consolidada de R$ 40,7 bilhões, avanço de 4,9% na comparação anual. O Ebitda ajustado ficou em aproximadamente R$ 3,2 bilhões, enquanto o lucro líquido alcançou R$ 69 milhões, queda de 20% em relação ao mesmo período do ano passado.

BTG: margens resistem, geração de caixa não

Para o BTG Pactual, a MBRF apresentou mais um trimestre de margens resilientes, com números operacionais amplamente em linha com as expectativas. O principal ponto negativo, entretanto, voltou a aparecer no fluxo de caixa.

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Na avaliação do banco, apesar do Ebitda reportado de R$ 3,2 bilhões ter ficado 2,5% acima de sua projeção e crescido 5,4% na comparação anual, o resultado contou com R$ 79 milhões relacionados a “outras despesas operacionais” não detalhadas e R$ 41 milhões em despesas de reestruturação.

O lucro de R$ 69 milhões também foi beneficiado por uma reversão de imposto de renda de R$ 423 milhões, segundo os analistas.

Já a dívida líquida, considerando a metodologia IFRS 16 utilizada pelo BTG, aumentou R$ 1,4 bilhão no trimestre, para R$ 51,7 bilhões, mantendo a alavancagem em 3,9 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses. O banco chama atenção ainda para R$ 9,9 bilhões em adiantamentos de clientes e linhas de financiamento de fornecedores ao final de junho.

É justamente essa combinação entre dívida elevada e expectativa de margens mais baixas no segundo semestre que sustenta a recomendação neutra do BTG.

BRF segura as pontas — e Sadia Halal volta a surpreender

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Dentro do resultado, a BRF continuou sendo um dos principais destaques. Segundo o BTG, as vendas cresceram 3% em relação ao ano anterior, para cerca de R$ 16 bilhões, enquanto o Ebitda reportado alcançou R$ 2,55 bilhões, 6% acima da estimativa do banco.

A margem Ebitda ficou em 16%, praticamente estável na comparação anual, mesmo diante de uma queda de 3 pontos percentuais na margem bruta, para 23,6% — o menor patamar para um segundo trimestre em três anos.

Parte dessa resiliência veio de ganhos de eficiência nas despesas e de aproximadamente R$ 180 milhões em outras receitas operacionais.

A Sadia Halal também voltou a surpreender positivamente, com Ebitda de US$ 95 milhões e margem de 16%. O BTG estima que cerca de US$ 30 milhões desse resultado possam estar relacionados a ganhos com estoques diante da alta dos preços dos alimentos após os conflitos militares na região.

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Com isso, o negócio de exportação da BRF alcançou margem Ebit de 12,6%, avanço de 1,5 ponto percentual em um ano, enquanto a margem do mercado doméstico brasileiro caiu 3,7 pontos, para 7,7%.

A XP também destaca a BRF como a principal força do trimestre. Para a casa, a margem Ebitda de 16,8% foi sustentada pela demanda resiliente nas exportações, melhora das tendências de consumo doméstico e disciplina de preços.

Diante desse desempenho e de um ambiente ainda favorável às exportações, a XP vê risco de alta para suas estimativas da BRF em 2026.

E o pior da National Beef?

Nos Estados Unidos, a National Beef ainda opera em um dos momentos mais difíceis do ciclo pecuário, marcado pela oferta restrita de animais e pelos custos elevados do gado.

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Mesmo assim, o BTG observa que a empresa conseguiu desempenho melhor que seus pares. O Ebitda ficou próximo do equilíbrio, em US$ 26 milhões, com margem de 0,7%, ainda assim a melhor rentabilidade entre as grandes companhias do setor no país, segundo o banco.

A XP também enxerga possíveis sinais de melhora. A reabertura da fronteira com o México e o fechamento de uma unidade da Tyson podem aliviar a pressão sobre a aquisição de gado e, consequentemente, abrir espaço para resultados melhores.

Por isso, a corretora vê risco de alta também para suas projeções da National Beef em 2026 e avalia que, de maneira geral, o pior pode ter ficado para trás.

América do Sul cresce, mas custos do gado pesam

As operações de carne bovina na América do Sul também ganharam força em receita. O volume destinado ao mercado externo avançou 26,2% em relação ao segundo trimestre de 2025, enquanto os preços médios subiram 16,2%.

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Com isso, a receita líquida do segmento alcançou R$ 6,4 bilhões, alta de 26,4% na comparação anual.

O BTG, entretanto, destaca que o aumento dos custos do gado pressionou a rentabilidade. O Ebitda de aproximadamente R$ 570 milhões ficou 16% abaixo da projeção do banco, com margem de 8,9%, 2 pontos percentuais inferior à registrada um ano antes.

A pedra no sapato da MBRF continua sendo o caixa

Se operacionalmente a MBRF mostrou resiliência, a geração de caixa continua impedindo uma leitura mais positiva do balanço.

O fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 864 milhões no segundo trimestre, pressionado principalmente pelo consumo sazonal de capital de giro, com aumento dos estoques e dos ativos biológicos.

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Pela métrica divulgada pela companhia, a dívida líquida avançou 2,4% na comparação trimestral, para R$ 45 bilhões, enquanto a relação dívida líquida/Ebitda ajustado passou de 3,37 vezes para 3,41 vezes.

O BB-BI lembra que a companhia gerou R$ 2,2 bilhões de caixa operacional no período, enquanto investimentos e juros consumiram R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão, respectivamente.

Apesar disso, o banco considera o desempenho consolidado positivo e resiliente, apoiado principalmente pela BRF e pela América do Sul. A MBRF também capturou R$ 158 milhões em sinergias no trimestre e já atingiu, somando os seis primeiros meses do ano, 47% da meta prevista para 2026.

Para a XP, o balanço reforça a percepção de que a companhia está “indo na direção certa”, com riscos de alta para as estimativas da BRF e da National Beef.

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Ainda assim, a corretora não considera o 2T26 um divisor de águas para a tese de investimento. A elevada alavancagem e o longo caminho até uma recuperação mais significativa do ciclo do gado nos Estados Unidos continuam exigindo cautela.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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