Carreiras

Abel e Ceni: as lições de liderança dos técnicos finalistas do Campeonato Paulista

30 mar 2022, 16:33 - atualizado em 30 mar 2022, 16:33
Abel Ferreira e Rogério Ceni
Gustavo Gómez e Abel Ferreira, do Palmeiras, e Rogério Ceni e Rafinha, do São Paulo, falaram, em coletiva de imprensa realizada na terça-feira, sobre a final do Paulistão 2022 (Imagem: Reprodução Facebook/Federação Paulista de Futebol)

Palmeiras e São Paulo começam a decidir hoje quem leva o Campeonato Paulista de Futebol 2022.

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Os comandantes Abel Ferreira e Rogério Ceni, o primeiro a frente do time alviverde e o segundo do tricolor, além de premiados em suas carreiras, podem ensinar sobre liderança.

O estádio do Morumbi, casa do São Paulo, recebe, nesta quarta-feira (30), a primeira partida da final do Paulistão, como é conhecido o campeonato. Mesmo com a rivalidade em campo, Abel e Ceni têm algumas semelhanças como líderes.

Na hora de comandar suas equipes, os técnicos têm como pontos em comum suas crenças sobre a forma de jogar.

“Ambos jogam de acordo com o adversário e lançam jogadores da base junto aos mais experientes”, sintetiza o CEO da Mappit, empresa do Talenses Group (holding brasileira de recrutamento e seleção), Rodrigo Vianna.

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Além de Abel e Ceni: as características de todo treinador

Assim como em qualquer carreira, algumas características são facilmente identificáveis nos treinadores de futebol. Vianna cita três.

  • Resiliência:

Como em todas as profissões, a de treinador também têm seus desafios a serem superados.

Vianna identifica que, no Brasil, o ofício de técnico sempre foi visto com desconfiança por todos, dado que muitas vezes o profissional não consegue mostrar seu estilo de trabalho, pois a cobrança é grande e o tempo é curto.

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“Rogério trilhou uma história linda no São Paulo como jogador e logo se deu a chance de treinar o time em sua 1ª experiência — sem sucesso. Voltou num momento muito difícil da equipe, conseguiu atingir seu objetivo, mas teve seu trabalho questionado. Deram tempo a ele, que deu a volta por cima, e logo chegou a sua 1ª final com o clube. Teve de aguentar muita pressão dentro e fora do campo e, com isso, chegou lá”, diz o CEO.

Já Abel, segundo o especialista, chegou sob desconfiança por parte da mídia frente ao trabalho anterior do também português, Jorge Jesus, no Flamengo.

” [Abel] suportou essa pressão inicial enfrentando enormes desafios no Palmeiras. Logo viu seu nome envolvido em saídas do time e vaias nos jogos. Manteve seu estilo fiel de trabalho. Não deixou a bola cair, fechou o grupo e lançou jogadores, ganhando torneios e levando o Palmeiras a outro estágio. Além disso, enfrentou a distância da família que por várias vezes o fez repensar se deveria continuar”, afirma.

  • Trabalho em equipe:

“A frase que ‘técnico não ganha jogo’ não é verdadeira”, declara Vianna ao destacar a importância do trabalho em equipe para as conquistas dos times e dos técnicos.

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Apesar de ficarem nos bastidores, o quadro técnico também é fundamental para o sucesso de um grupo, como identifica o CEO: “por trás dos dois treinadores, temos uma equipe grande de fisiologistas, analistas de desempenho, preparadores físicos que com eles suportam uma equipe para atingir os seus objetivos”.

  • Liderança:

No caso dos técnicos a liderança é quase um padrão. “Muitas vezes são ambos que tomam decisões difíceis ao longo de um jogo, trocam jogadores, mudam esquema e ambos conseguem sucesso quando seus atletas entendem as razões e colocam a equipe à frente dos seus objetivos individuais”, diz.

Para isso acontecer, o especialista identifica que é uma consequência de muita conversa, feedbacks individuais e exemplos para que todos se unam por um objetivo maior, independente de quem está em campo.

As lições de liderança de Abel e Ceni

Quando se trata de liderança, característica marcante dos dois treinadores, Abel não encontra em Ceni um Caim.

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Diferentemente da passagem bíblica, em que Caim mata Abel, Ceni e Abel Ferreira são exemplos no quesito respeito, para Vianna.

Na coletiva de imprensa oficial da final do Campeonato Paulista, realizada nesta terça-feira (29), os técnicos trocaram elogios e mostram como o esporte é sobre competir com respeito, foco, disciplina e responsabilidade, como definiu Vianna.

“Isso [a liderança] mostra que o técnico é muito mais do que um estudioso e conhecedor do jogo, mas sim, por muitas vezes, um pai que orienta os atletas mais novos, chama a atenção quando têm comportamentos inadequados e as vezes é necessário puni-los. E isso tudo apenas funciona quando o técnico é respeitado não só pelo que fala, mas pelo exemplo que ele é”, conclui o CEO.

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Por isso, o especialista identifica três lições importantes sobre liderança que Abel e Ceni ensinam com suas trajetórias de sucesso:

  1. O papel da equipe frente ao indivíduo: em um esporte coletivo ninguém vence sozinho, cada um tem o seu papel a exercer e o principal deles é lutar pelo seu companheiro e ajudá-lo a cumprir sua função. Ganham todos e perdem todos.
  2. Estudo e formação: no esporte, como em qualquer profissão, apenas o talento não te leva a ser um vencedor com longevidade. Logo, a adaptação e o aprimoramento são fundamentais.
  3. Exemplo: “não fale algo e aja diferente ‘walk the talk’ e ganhará o respeito de todas e todos ao seu redor”. Ou seja, tenha ações de acordo com as suas palavras.
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Formada em Gestão de Negócios e Inovação pela Fatec Sebrae e, atualmente, estudante de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Tem como propósito atuar visando os princípios éticos do jornalismo com comprometimento com a informação de qualidade e o combate à desinformação.
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