Ação da Marcopolo (POMO4) despenca quase 10% após balanço do 2T26: o que desagradou o mercado?
As ações da Marcopolo (POMO4) operam entre as maiores quedas do Ibovespa (IBOV) nesta terça-feira (4) em reação ao balanço do segundo trimestre (2T26), divulgado na noite de ontem (3).
A reação negativa já era esperada pelo Citi. Às 11h45 (horário de Brasília), POMO4 registrava queda de 8,94%, a R$ 4,88. Mais cedo, as ações bateram a mínima intradia com recuo de 9,31% (R$ 4,87), menor cotação intradia desde abril de 2025. Acompanhe o Tempo Real.
Nos últimos 30 dias, as ações acumulam queda de 12%, ante alta de 3,5% do Ibovespa, com o mercado já precificando a deterioração das expectativas para o 2T26.
Entre os principais números do 2T26, o lucro líquido da companhia caiu 15,5% entre abril e junho deste ano na comparação com o mesmo período de 2025, para R$ 271,2 milhões.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), que mede a desempenho operacional, também recuou 15% em igual base comparativa, atigindo R$ 338,6 milhões. Já a margem Ebitda atingiu 14,3%, queda de 3 pontos porcentuais na base anual.
Um trimestre para esquecer
Para analistas, a Marcopolo reportou uma combinação de resultados “fracos”, com números abaixo das expectativas dos principais bancos e casas de análise. O BTG Pactual, por exemplo, classificou como “um trimestre para esquecer”.
O banco recorda que, no mesmo período do ano passado, a companhia teve uma recuperação em relação ao trimestre anterior, de janeiro a março, e entregou resultados “muito mais fortes” no 2T25, impulsionados por um desempenho melhor das exportações e por um mix de produtos mais favoráveis.
Agora, os analistas afirmaram que, apesar das expectativas de um trimestre mais fraco, os resultados ficaram abaixo das projeções – que já tinham sido revisadas para baixo nas últimas semanas.
“A combinação de um mix pior e exportações mais fracas levou à queda da margem da companhia no trimestre, o que, em nossa visão, coloca em risco as estimativas atuais do mercado para o restante do ano”, escreveram Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmin em relatório a clientes nesta terça-feira.
Para o Bradesco BBI, por sua vez, os resultados sugerrem maior “cautela” para o segundo semestre deste ano. “Embora os números principais tenham vindo próximos das expectativas, a qualidade da margem e o tom mais cauteloso da administração reforçam uma postura mais conservadora para receita e rentabilidade no 2S26”, afirmaram os analistas Daniel Federle e Ricardo França.
Na mesma linha, a XP avaliou que o balanço do 2T25 adicionou um “ponto de interrogação” mais relevante sobre a trajetória de resultados da Marcopolo daqui para frente.
“Embora esperemos um pano de fundo sazonal mais favorável para o negócio de ônibus no 2S26, apoiado por maiores volumes de rodoviários e por um impulso temporário do Move Brasil no terceiro trimestre, os ventos contrários em outras divisões e geografias continuam se acumulando”, afirmaram Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes.
O Citi considera que a base de comparação também era “desafiadora” e por isso, os analistas esperam uma recuperação ‘modesta’ no terceiro trimestre, impulsionada pela sazonalidade mais favorável no segmento de ônibus rodoviários e pelas contribuições positivas do Programa Move.
“Esperamos alguma melhora sequencial no 3T26, mas o momento dos lucros continua pressionado no curto prazo”, afirmaram André Mazini, Kiepher Kennedy e Piero Trotta.
Hora de vender POMO4?
Com o trimestre mais fraco, o Itaú BBA destacou que a ‘decepção’ com a margem Ebitda do 2T26 aumenta o risco de novas revisões para baixo das projeções de lucros para o segundo semestre – adotando uma visão pessimista para a Marcopolo. O otimismo antes era sustentado pelo valuation e dividend yields considerados atrativos.
A mesma visão é compartilhada pela XP. “Embora os dividend yields relativamente atrativos da POMO4 permaneçam como um ponto positivo, vemos os resultados de hoje corroborando parte das incertezas que temos observado em relação aos níveis estruturais de margem, potencialmente adicionando preocupações sobre as perspectivas de crescimento de resultados da Marcopolo à frente”, afirmaram os analistas.
Por outro lado, o BTG Pactual também avalia que o valuation e o sólido retorno via dividendos oferecem suporte para limitar novas quedas das ações.
O Bradesco BBI manteve a preferência (top pick) por POMO4 para o setor de bens de capital.
Confira as recomendações que o Money Times teve acesso:
| Banco/Corretora | Recomendação | Preço-alvo | Potencial de valorização* |
| Bradesco BBI | Compra | R$ 8,00 | 48,98% |
| BTG Pactual | Neutra | R$ 10,00 | 86,22% |
| Citi | Compra | R$ 9,00 | 67,60% |
| Itaú BBA | Compra | R$ 10,00 | 86,22% |
| Safra | Compra | R$ 9,10 | 69,46% |
| XP | Compra | R$ 8,00 | 48,98% |
*potencial de valorização sobre o preço de fechamento anterior. Em 04/08/26, POMO4 encerrou cotada a R$ 5,37