Comprar ou vender?

Ação em queda forte: O que a Engie (EGIE3) irá fazer com R$ 8,4 bilhões de oferta de ações?

15 jul 2026, 12:37 - atualizado em 15 jul 2026, 12:40
Engie
Jirau, a quarta maior geradora de energia elétrica do Brasil, cravada no Rio Madeira, a cerca de 120 km de Porto Velho (RO). (Imagem: Divulgação Jirau)

A Engie Brasil Energia (EGIE3) bateu o martelo e precificou em R$ 30,50 sua oferta de 274 milhões de ações. Ao todo, a companhia levantou R$ 8,4 bilhões, um montante considerável que, à primeira vista, pode assustar investidores, já que toda emissão de ações tem seus ônus, como a diluição dos acionistas minoritários, investimentos em projetos que não fazem sentido ou o aumento da alavancagem.

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Tudo isso, porém, passa longe da operação da elétrica. Pelo menos na visão de parte de analistas, que elogiou à oferta. Isso porque os recursos serão destinados à compra de 40% da usina hidrelétrica de Jirau, a quarta maior geradora de energia elétrica do Brasil. O empreendimento fica localizado no Rio Madeira, a cerca de 120 km de Porto Velho (RO).

Ao todo, a companhia pagará R$ 5,7 bilhões por essa participação. Ou seja, sobram outros R$ 2,7 bilhões que, segundo o Safra, podem ser usados para o pagamento das despesas da UBP (Uso de Bem Público), encargos anuais pagos pelas geradoras hidrelétricas à União pelo direito de exploração do potencial hidráulico, que totalizam R$ 2,4 bilhões, além da otimização da estrutura de capital da Engie.

Mas pagar R$ 5,7 bilhões por uma usina — e ainda precisar fazer uma oferta de ações para isso — não é muito caro? Para o Safra, sim. O valor pode assustar à primeira vista. Na bolsa, a ação caia 3,94%, a R$ 31, por volta das 12h35.

Porém, o banco avalia que a Engie tem condições de melhorar o ativo e torná-lo mais atraente. Além disso, o pagamento antecipado das despesas e a otimização da estrutura de capital chegam em boa hora.

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“Vemos a conclusão desta oferta como um potencial fator de redução de riscos para a Engie, considerando que a aquisição da Jirau já era esperada. O mercado vinha monitorando a aquisição da Jirau há algum tempo, e a conclusão desse processo elimina a incerteza em relação aos parâmetros de avaliação do negócio para a Engie”, escreve o Safra.

Considerando o preço da oferta, a Taxa Interna de Retorno (TIR) da Engie está em 9,9%, nível considerado “razoável e próximo da média do setor”.

A questão é o preço

Por mais que o Safra tenha elogiado o negócio, a recomendação segue sendo de venda. Tudo por causa do preço da Engie (EGIE3). Com as ações negociadas a R$ 27,18, os analistas não veem potencial de alta para os papéis e encontram oportunidades mais atraentes no setor.

Em relatório recente, o Bradesco BBI também reiterou a recomendação neutra para EGIE3, citando justamente o valuation, considerado salgado.

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Além disso, o cenário ainda apresenta desafios, com incertezas operacionais relacionadas aos níveis de curtailment — redução forçada da geração de energia elétrica — e à execução de novos projetos.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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