Destaques da Bolsa

Ações da Natura (NATU3) sobem com boa recepção ao novo CEO, mas dúvidas sobre recuperação seguem no radar

01 set 2026, 12:07
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(Imagem: Divulgação)

As ações da Natura (NATU3) operam entre os destaques positivos do Ibovespa (IBOV) no pregão desta terça-feira (1), estendendo o movimento de alta da véspera, quando anunciou a troca do atual CEO por um nome que já ocupou o cargo anteriormente.

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A Natura elegeu Alessandro Carlucci como novo diretor-presidente, com posse do cargo em 1º de outubro de 2026, no lugar de João Paulo Ferreira. Carlucci já foi CEO da Natura entre 2005 e 2014. A transição busca preservar a continuidade estratégica e fortalecer a execução operacional.

Por volta de 11h55 (horário de Brasília), as ações NATU3 subiam 4%, cotadas a R$ 9,09. Na máxima do dia, até esse horário, o avanço chegou a 4,92%. Acompanhe o tempo real.



O Bradesco BBI destaca que as ações da empresa de cosméticos chegaram avançar cerca de 8% após o anúncio, mas perderam força ao longo da sessão, sinalizando que a reação positiva à mudança de liderança ainda convive com dúvidas sobre a recuperação dos resultados.

“O papel lidera o ranking de taxa de aluguel, em 88,41%, e apresenta 12,58 dias de cobertura, evidenciando um posicionamento vendido relevante e de custo elevado”, dizem os analistas.

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A leitura do BBI é que novas sinalizações favoráveis sobre execução e rentabilidade podem ampliar a pressão por cobertura de short, enquanto a ausência de melhor operacional tende a preservar a volatilidade do ativo.

O Itaú BBA pondera que ambos os executivos são bem avaliados pelo mercado e possuem amplo conhecimento da Natura, enquanto a transição ocorre após a recente reformulação do Conselho e a eleição de dois representantes ligados ao investimento da Advent.

“Reforçamos que, no curto prazo, a Natura ainda precisa solucionar os problemas associados ao sistema de planejamento integrado, que esperamos que sejam totalmente resolvidos até o fim de 2026 ou no início de 2027”, dizem os analistas.

A execução continua sendo a questão centra, na visão do Itaú BBA.

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O Citi chama atenção para o timing do anúncio, que ocorre pouco depois da Assembleia Geral de Acionistas de 27 de agosto, que formalizou o acordo da Natura com a Advent e levou à nomeação de dois sócios da Advent, Juan Pablo Zucchini e Rafael Leão, para o Conselho.

“Dessa forma, é provável que os investidores vejam as mudanças de gestão anunciadas como parte da transição mais ampla de governança em curso, embora nosso entendimento seja de que a decisão possa ter começado a ser discutida antes das recentes mudanças no Conselho”, dizem os analistas.

Embora a Natura tenha mudado significativamente desde que Carlucci deixou o cargo de CEO, em 2014, ele ocupa a presidência do Conselho desde abril de 2025. Dessa maneira, o Citi acredita que o profundo conhecimento da companhia e do negócio, especialmente do modelo de venda direta, o torna uma das pessoas mais bem posicionadas para apoiar a recuperação da empresa.

Pressão no curto prazo da Natura

O movimento ocorre em um momento de desempenho ruim para a empresa de cosméticos. No segundo trimestre de 2026, a Natura reportou lucro líquido de R$ 35 milhões, resultado 82% menor na comparação com o mesmo período em 2025.

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Em teleconferência de resultados realizada após a divulgação do balanço, João Paulo Ferreira, CEO da companhia, reconheceu que os números do trimestre frustraram as expectativas devido à queda acentuada da receita no Brasil, que sofre com os impactos do cenário macroeconômico sobre a renda disponível, além de problemas relacionados à disponibilidade de produtos.

“As dificuldades operacionais no Brasil superaram nossas expectativas”, afirmou. “Reconhecemos, contudo, que grande parte dos problemas desse trimestre são internos, operacionais e fundamentalmente autoimpostos”, completou o executivo

A escassez de produtos é apontada como um dos fatores que controbuíram para o cenário, com estresse causado pela indisponibilidade de produtos e parada da operação, mesmo com uma implementação tida como bem-sucedida do sistema SAP.

O Itaú BBA destaca que a receita da Natura caiu cerca de 15% na comparação anual no segundo trimestre, enquanto problemas mais amplos de planejamento e integração de sistemas contribuíram para restrições na disponibilidade de produtos e pressão sobre a participação de mercado.

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“A recuperação deve ser gradual, mantendo a pressão sobre a alavancagem operacional, as margens e a geração de caixa até que haja maior visibilidade sobre a recuperação da receita no Brasil”, dizem os analistas.

Na leitura da casa, o catalisador continua adiado: ainda é necessário observar evidências de que o sistema de planejamento integrado se estabilizou e de que o Brasil voltou a uma trajetória de crescimento mais sustentável antes de revisar a recomendação de Market Perform (equivalente à neutra).

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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