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Lula ‘ajuda’ etanol com alívio tributário e possível subsídio direto; BTG vê ganho para 4 ações

01 set 2026, 12:22
combustível combustíveis gasolina etanol diesel biodiesel
Entre as determinações, está a redução a zero dos tributos sobre o etanol caso a carga tributária da gasolina seja cortada em 30% ou mais. (Foto: salihkilic/iStock)

A sanção da Lei Complementar 235/2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva acrescenta um novo impulso para o setor de etanol, que já atravessa um período de recuperação dos preços, avalia o BTG Pactual.

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Na visão do banco, a legislação é positiva para São Martinho (SMTO3), Jalles (JALL3), Adecoagro (NYSE: AGRO) e 3tentos (TTEN3). Entre essas 4 ações, o banco só recomenda compra para TTEN3, que preço-alvo de R$ 26 (potencial de alta 121,09%).

O BTG estima que cada aumento de R$ 0,10 por litro no preço realizado do etanol eleva, em média, em 7,5% o EBIT anual — lucro antes de juros e impostos — dessas quatro companhias.

A nova lei cria mecanismos para preservar a vantagem tributária dos biocombustíveis sempre que o governo federal reduzir a carga incidente sobre os combustíveis fósseis.



Entre as determinações está a redução a zero dos tributos federais sobre o etanol caso a carga tributária da gasolina seja cortada em 30% ou mais.

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A medida também prevê até R$ 1,2 bilhão em compensações aos produtores e às cooperativas de etanol hidratado pelos volumes comercializados entre 25 de maio e 11 de agosto, período em que a gasolina A contou com uma subvenção tributária de R$ 0,44 por litro.

Além disso, o setor poderá utilizar até R$ 750 milhões em créditos acumulados de PIS/Cofins para compensar outras obrigações tributárias federais. Para o BTG, esse último mecanismo deve representar principalmente um benefício pontual para o fluxo de caixa.

Ganho superior a 10% para o etanol

Segundo os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, a lei parece combinar alívio tributário com a possibilidade de um subsídio direto aos produtores.

Atualmente, a gasolina A carrega R$ 0,8925 por litro em tributos federais, enquanto os etanóis hidratado e anidro têm incidência de R$ 0,1922 por litro em PIS/Cofins.

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O subsídio de R$ 0,44 por litro concedido à gasolina equivale a uma redução de aproximadamente 49% em sua carga tributária federal. O percentual supera, portanto, o gatilho de 30% estabelecido pela nova legislação.

Pelos cálculos do BTG, esse cenário deveria levar a zero os tributos federais sobre os etanóis hidratado e anidro.

A conta, porém, é mais complexa porque a desoneração do etanol anidro também reduz o custo da gasolina C, que possui 32% do biocombustível em sua composição.

O etanol hidratado receberia um alívio tributário direto de R$ 0,1922 por litro. Ao mesmo tempo, a retirada dos tributos sobre o componente anidro reduziria a carga sobre a gasolina C em R$ 0,0615 por litro. Com isso, a melhora líquida na competitividade do hidratado seria de R$ 0,1307 por litro.

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Caso a regulamentação preserve integralmente a vantagem de R$ 0,299 por litro criada pelo subsídio à gasolina, o etanol hidratado poderia receber uma compensação adicional de R$ 0,1685 por litro. O benefício tributário total chegaria, assim, a aproximadamente R$ 0,361 por litro.

“Isso implicaria um ganho superior a 10% no preço líquido realizado pelos produtores de etanol”, afirmam os analistas. A comparação considera a estimativa anterior do banco para o preço de equilíbrio do hidratado, de cerca de R$ 2,80 por litro.

Regulamentação será decisiva

O BTG ressalta que a legislação aparentemente utiliza uma comparação volumétrica, por litro, sem ajustar a diferença de conteúdo energético entre etanol e gasolina.

Essa leitura seria ainda mais favorável ao biocombustível. Em uma comparação baseada na equivalência energética convencional de 70% entre os dois combustíveis, o benefício estimado cairia de R$ 0,361 para aproximadamente R$ 0,253 por litro.

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A interpretação, contudo, ainda depende da regulamentação final.

Embora a lei esteja em vigor desde 28 de agosto, os benefícios ainda não estão operacionais. Será necessário definir o processo de habilitação, as regras de cálculo e verificação dos subsídios, os prazos e os mecanismos de pagamento.

A Receita Federal também deverá regulamentar a utilização dos créditos acumulados de PIS/Cofins.

Para o BTG, a medida permite que o etanol capture uma parcela maior da alta do petróleo Brent e dos preços internacionais da gasolina. Mesmo que o governo limite os reajustes do combustível fóssil por meio de subsídios, os produtores do biocombustível também deverão ser compensados.

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Com a melhora dos preços e o novo impulso regulatório, o banco espera que o momento favorável aos produtores de etanol continue no curto prazo.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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