Crescimento da economia fica aquém das expectativas do Ministério da Fazenda; projeção para 2026 está em revisão
O desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre (2T26) ficou aquém do esperado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), levando o órgão do Ministério da Fazenda a sinalizar uma possível redução da projeção de crescimento da economia brasileira em 2026.
O PIB avançou 0,5% entre abril e junho, na comparação com o trimestre anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado superou a mediana das estimativas do mercado, de 0,4%, mas ficou abaixo da alta de 0,8% projetada pela SPE no Boletim Macrofiscal de julho.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a economia cresceu 2%, também abaixo dos 2,4% esperados pela secretaria, embora ligeiramente acima da estimativa mediana do mercado, de 1,9%.
Diante do resultado, a SPE informou que sua atual projeção de crescimento de 2,3% para o PIB de 2026 está em revisão e apresenta “viés de baixa”. A nova estimativa deverá ser divulgada no próximo Boletim Macrofiscal.
“A composição também se deslocou em relação ao previsto”, afirmou a secretaria em nota. Segundo o órgão, a agropecuária surpreendeu positivamente, enquanto a indústria e os serviços apresentaram desempenho inferior ao projetado.
Consumo das famílias recua
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias caiu 0,4% frente ao primeiro trimestre, após avançar 0,8% nos três primeiros meses do ano. Em relação ao mesmo período de 2025, o crescimento do consumo desacelerou de 1,7% para 0,5%.
A SPE atribuiu a perda de força às restrições de crédito, apesar da resiliência do mercado de trabalho, com desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento real da renda e da massa salarial.
A formação bruta de capital fixo, medida que indica o nível de investimentos na economia, cresceu 1,2% no trimestre, abaixo da alta de 3,4% registrada entre janeiro e março. Já o consumo do governo avançou 0,4%.
De acordo com a secretaria, a absorção doméstica — que reúne consumo e investimento — teve contribuição nula para o PIB do segundo trimestre. O setor externo, por sua vez, retirou 0,4 ponto percentual do resultado, diante da queda de 0,8% das exportações e do avanço de 1,8% das importações.
Com a demanda final praticamente parada, o crescimento ficou concentrado na variação de estoques, que contribuiu com 0,9 ponto percentual para o PIB.
“Com a demanda final estagnada, o crescimento concentrou-se na variação de estoques”, destacou a SPE.
Juros ainda pesam sobre a atividade
Pelo lado da oferta, a agropecuária avançou 2,8% frente ao primeiro trimestre e respondeu pela principal surpresa positiva. A indústria cresceu apenas 0,1%, enquanto os serviços avançaram 0,2%.
Dentro da indústria, a atividade extrativa teve alta de 3,4%, impulsionada pela produção de petróleo e gás natural. Em sentido contrário, a indústria de transformação caiu 0,4%, enquanto a construção recuou 0,4%.
Na comparação anual, a transformação acumulou sua quinta retração consecutiva, com queda de 0,9%. Para a SPE, o desempenho reflete os efeitos da política monetária ainda restritiva sobre os setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
A secretaria espera que a economia continue desacelerando no terceiro trimestre, com a dissipação dos efeitos de políticas públicas. Uma retomada gradual é esperada para os últimos três meses do ano, à medida que os cortes da taxa Selic comecem a chegar ao crédito e ao investimento.
A SPE ponderou, entretanto, que a Selic, atualmente em 14% ao ano, continua em nível restritivo. Por isso, a transmissão da flexibilização monetária para a atividade deve ocorrer apenas parcialmente até o fim de 2026.