Ações do Magazine Luiza (MGLU3) caem após balanço; o que desagradou o mercado?
As ações do Magazine Luiza (MGLU3) figuravam entre as maiores quedas do Ibovespa nesta sexta-feira (7), após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026.
As ações do Magalu abriram o pregão no negativo e aprofundaram a queda na primeira hora de negociação. Por volta das 11h10, os papéis recuavam 5,91%.
Apesar de a companhia ter apresentado margens operacionais mais resilientes e desempenho sólido nas lojas físicas e nos serviços financeiros, analistas destacaram a continuidade da fraqueza do e-commerce e os desafios para a retomada do crescimento.
Para o JPMorgan, o resultado foi marcado por uma “linha de receita fraca com margens ligeiramente melhores”. O banco destacou que o Ebitda ajustado superou as expectativas, beneficiado pelo controle de despesas e pela contribuição da Luizacred, mas ponderou que o prejuízo líquido ajustado ficou abaixo do esperado e que a geração de caixa permaneceu fraca.
Diante desse cenário, a instituição manteve recomendação underweight, equivalente à venda, para os papéis.
O principal ponto de preocupação do JPMorgan continua sendo a desaceleração das vendas digitais. No trimestre, o GMV online caiu 12% na comparação anual, enquanto o GMV consolidado recuou 5%.
Na visão dos analistas, o ambiente macroeconômico desafiador, somado à forte concorrência no comércio eletrônico, segue limitando o potencial de crescimento da companhia, mesmo com a estabilidade das margens.
O BTG Pactual teve uma leitura mais construtiva do balanço. O banco ressaltou que as lojas físicas continuam sendo o principal destaque da operação, com crescimento de 9,7% nas vendas mesmas lojas (SSS), impulsionado principalmente pela demanda por televisores e outros produtos relacionados à Copa do Mundo.
Além disso, destacou que a margem Ebitda permaneceu estável em 8%, refletindo disciplina comercial, controle de custos e melhor desempenho da Luizacred.
Segundo o BTG, o trimestre reforça que a estratégia da companhia está cada vez mais focada na rentabilidade e na eficiência operacional.
O banco também chamou atenção para a melhora dos indicadores de crédito da Luizacred e para a geração positiva de caixa operacional, sustentada pela redução de estoques. Apesar de reconhecer os desafios para o crescimento, o BTG manteve recomendação de compra para as ações.
Já a XP Investimentos classificou os números como fracos, mas amplamente em linha com as expectativas. Na avaliação da corretora, o ambiente macroeconômico e competitivo continua pressionando os resultados da varejista, especialmente no canal online.
A casa destacou que a principal surpresa negativa veio da operação de vendas próprias (1P), impactada pelo repasse dos maiores custos de chips de memória aos preços finais dos produtos, o que reduziu a demanda em categorias de eletrônicos.
Segundo a XP, a retração do e-commerce continua sendo o principal entrave para uma recuperação mais consistente da companhia.
Por outro lado, a corretora ressaltou a resiliência das lojas físicas, beneficiadas pela Copa do Mundo, pelos ganhos de participação de mercado e pela expansão da oferta de crédito via CDC.
A XP também destacou o forte desempenho da Luizacred e a conclusão da migração da originação de CDC para a Magalupay, movimento que tende a melhorar gradualmente a rentabilidade da vertical financeira.
Entre os pontos positivos para os próximos trimestres, a XP chamou atenção para a recente parceria da Magazine Luiza com a Amazon na operação de vendas próprias, anunciada em junho, além da expectativa de novos acordos comerciais.
A corretora também destacou avanços em iniciativas como Magalu Ads, Magalu Cloud e WhatsApp da Lu, que podem contribuir para diversificar as fontes de receita da companhia. Ainda assim, manteve recomendação neutra para os papéis, avaliando que o cenário operacional segue desafiador.
O Citi também manteve uma postura cautelosa em relação ao Magazine Luiza. Na avaliação do banco, os resultados do segundo trimestre ficaram, em sua maior parte, em linha com as expectativas, com destaque positivo para a força das lojas físicas e a disciplina na gestão de custos.
As vendas nas lojas avançaram acima do esperado, enquanto a margem bruta permaneceu estável, demonstrando resiliência mesmo em um ambiente de consumo ainda desafiador.
Por outro lado, o Citi destacou que a forte queda do GMV online e as despesas financeiras elevadas continuam limitando a recuperação dos lucros da companhia.
Segundo o banco, a concorrência intensa no comércio eletrônico e o alto nível de alavancagem em um cenário de juros elevados seguem pressionando os resultados, razão pela qual manteve recomendação neutra, com classificação de alto risco para as ações.
Magalu no 2T26
O Magazine Luiza reportou prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), uma variação de 197,5% ante o prejuízo de R$ 24,4 milhões reportado no mesmo período em 2025.
Já na linha ajustada, que desconsidera as receitas e despesas não recorrentes, o prejuízo foi de R$ 50,4 milhões, ante lucro ajustado de R$ 1,8 milhão no mesmo período do ano anterior.
Apesar do resultado, o segundo prejuízo neste ano após a entrega de lucros em 2025, o tom da administração é positivo no que diz respeito aos próximos trimestres.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede o desempenho operacional, foi de R$ 675,3 milhões no 2T26, uma queda de 1,7% na comparação anual. Na linha ajustada, a cifra é de R$ 708,8 milhões, recuo de 2,5% na comparação com o mesmo período em 2025.
A receita bruta da companhia totalizou R$ 11,1 bilhões, um recuo de 2,2% na comparação anual. Já a receita líquida recuou 2,6%, totalizando R$ 8,89 bilhões no período de abril a junho deste ano.
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