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Magazine Luiza (MGLU3) tem prejuízo de R$ 72,5 milhões no 2T26; ‘Estamos fazendo tudo para voltar a dar lucro sem depender dos juros’, diz CFO

06 ago 2026, 19:05
magazine luiza
(Imagem: Divulgação/ Magazine Luiza)

O Magazine Luiza (MGLU3) reportou prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), uma variação de 197,5% ante o prejuízo de R$ 24,4 milhões reportado no mesmo período em 2025, mostra relatório de resultados divulgado ao mercado nesta quinta-feira (6).

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Já na linha ajustada, que desconsidera as receitas e despesas não recorrentes, o prejuízo foi de R$ 50,4 milhões, ante lucro ajustado de R$ 1,8 milhão no mesmo período do ano anterior.

Apesar do resultado, o segundo prejuízo neste ano após a entrega de lucros em 2025, o tom da administração é positivo no que diz respeito aos próximos trimestres.

A combinação de crescimento das lojas físicas, crescimento da parceria com a Amazon no e-commerce e novas iniciativas nesta frente, além de melhora no capital de giro e geração de caixa, estão entre os pontos animadores citados por Roberto Belissimo, CFO da varejista, em entrevista ao Money Times.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede o desempenho operacional, foi de R$ 675,3 milhões no 2T26, uma queda de 1,7% na comparação anual. Na linha ajustada, a cifra é de R$ 708,8 milhões, recuo de 2,5% na comparação com o mesmo período em 2025.

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Já a margem Ebitda ficou em 7,6%, avanço de 0,1 ponto percentual ao ano, enquanto a margem Ebitda ajustada se manteve estável em 8%.

No caso da margem bruta houve aumento de 0,1 ponto percentual na comparação anual, para 30,6%.

A receita bruta da companhia totalizou R$ 11,1 bilhões, um recuo de 2,2% na comparação anual. Já a receita líquida recuou 2,6%, totalizando R$ 8,89 bilhões no período de abril a junho deste ano.

No trimestre, as despesas financeiras líquidas totalizaram R$ 572,3 milhões, equivalentes a 6,4% da receita líquida, um crescimento 15,5% em relação ao 2T25.

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Esse aumento, de acordo com o Magazine Luiza, está relacionado à antecipação de recebíveis para realizar o pagamento das compras maiores do primeiro trimestre, principalmente de categorias relacionadas à Copa do Mundo ou afetadas pela escassez de chips de memória.

Retomada do lucro no horizonte?

Ainda que a taxa básica de juros (Selic) ainda não tenha caído para abaixo de 14%, a queda dos juros futuros já é um fator que beneficia a empresa, com a antecipação de recebíveis ocorrendo com custos menores.

“Estamos fazendo tudo para, sim, voltar a dar lucro sem depender da taxa de juros […] Mesmo que os juros ainda não estejam abaixo de 14%, a gente já começa a descontar recebíveis num custo abaixo de 14%, na medida em que a curva futura começa a ficar abaixo da taxa de juros atual. Então, a gente já começa a ter esse benefício”, diz.

Mais importante do que isso, segundo Belissimo, são as iniciativas para influenciar os resultados. O CFO conta que a Copa do Mundo foi expressivamente positiva para a companhia, com destaque para o crescimento de 39% na venda de televisores em lojas físicas.

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No segundo trimestre do ano, as vendas totais, incluindo lojas físicas, e-commerce com estoque próprio (1P) e marketplace (3P) totalizaram R$ 14,5 bilhões. O valor representa um crescimento de 10,3% nas lojas físicas (9,7% no conceito mesmas lojas), e uma redução de 11,9% no e-commerce total em relação ao mesmo período do ano anterior.

De acordo com o CFO do Magazine Luiza, a varejista visa a retomada do crescimento do e-commerce por meio de parcerias, o que, combinado com a continuidade do crescimento em lojas físicas, torna mais fácil a diluição de despesas operacionais, melhora do giro dos estoques, do capital de giro, da geração de caixa e redução das despesas financeiras, fatores que podem pavimentar um caminho de retomada do lucro.

“Estamos otimistas nesse sentido e trabalhando bastante para fazer isso tudo acontecer e se a taxa de juros cair, pode ser melhor ainda”, afirma Belissimo. Cabe ressaltar que o Magalu não divulga guidance (projeção) sobre o lucro.

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Parceria com a Amazon e novidades no radar

O Magazine Luiza anunciou em junho deste ano uma parceria com a Amazon, em um movimento que expande a exposição da companhia no e-commerce, parte dos pilares estratégicos que a varejista vem implementando.

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O impacto da Amazon até o momento ainda é relativamente pequeno dado o pouco tempo de operação, no entanto, Roberto Belissimo conta, sem detalhar valores, que as vendas superaram as expectativas no período e há otimismo com a entrada dos produtos do Magazine Luiza no programa de fidelidade Prime da Amazon.

“Estamos muito próximos de anunciar outras plataformas nesse sentido de aumentar a nossa escala, nossa abrangência e um novo canal de vendas chegando a novos clientes. Com isso, aumentamos nossa venda total com margem de contribuição positiva e ainda tem uma série de benefícios na logística e na despesa financeira também”, diz o CFO.

Questionado sobre se uma próxima parceria seria com o Mercado Livre, Belissimo não abriu a informação, mas detalhou que a companhia está de olho no investimento relevante de plataformas em crescimento, subsídio aos clientes, condições de financiamento, frete grátis, entre outros.

Também sem dar guidance, o executivo afirmou que a abertura de novas lojas está no radar para esse ano e é outro fator que compõe os atuais pilares estratégicos da companhia.

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Belissimo revelou que está em estudo a reforma de até 50 lojas de maior porte para transformar no conceito da Galeria Magalu, que abriga as marcas do grupo: Magazine Luiza; Época Cosméticos, KaBuM!, Netshoes e Estante Virtual.

Além disso, lojas individuais da Época Cosméticos, apontada como a marca que mais vende na unidade inaugural da Galeira Magalu, e da Netshoes estão no radar. .

A estratégia de expansão das lojas físicas se apoia no crescimento superior a 10%, no retorno mais rápido dos investimentos (payback), impulsionado pelo avanço do Retail Media, e na maior rentabilidade das novas operações.

Outros números do balanço

Em junho de 2026, a necessidade de capital de giro ajustada foi negativa em R$ 2,3 bilhões. O Magalu chama atenção para a redução de R$ 560,4 milhões nos estoques no segundo trimestre, reflexo do desempenho de vendas das lojas físicas e do menor volume de compras no trimestre.

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No Magalupay, o volume total de transações processadas (TPV) atingiu R$ 24,7 bilhões no segundo trimestre do ano. Em junho de 2026, a base de cartões de crédito foi de 5,7 milhões de cartões.

No 2T26, a geração de caixa operacional foi de R$ 258,8 milhões e totalizou R$ 1,6 bilhão nos últimos
12 meses, influenciada pelo resultado operacional e pela maior eficiência do capital de giro.

Na Luizacred, o faturamento dos cartões Luiza cresceu 1,0% no período, atingindo R$ 15,1 bilhões no período. A carteira de cartão de crédito foi de R$ 20,2 bilhões ao final do trimestre, com redução de 0,2 ponto percentual (p.p) no atraso de 15 a 90 dias e de 1,1 p.p. no atraso superior a 90 dias em relação a junho de 2025.

O lucro líquido da Luizacred atingiu R$ 135,3 milhões no 2T26, com ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) anualizado de 23,5%.

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Na Magalupay SCFI, a carteira líquida de crédito alcançou R$ 429 milhões, apresentando um lucro líquido de R$ 17 milhões no trimestre.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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