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Açúcar pode subir mais? XP vê mercado subestimando aperto na oferta brasileira

16 out 2026, 16:13
açúcar etanol (2) (1)
(iStock.com/banjongseal324)

O mercado ainda pode não ter precificado totalmente o aperto na oferta de açúcar brasileiro, mesmo após a recente alta das cotações internacionais. Essa é a avaliação da XP Investimentos, que voltou a reduzir suas estimativas para a safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul em 2026/27 e vê espaço para preços sustentadamente elevados da commodity.

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Em relatório divulgado na quinta-feira (15), a XP cortou sua projeção de moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul em 12,4 milhões de toneladas, para 613,5 milhões de toneladas.

A revisão reflete tanto os resultados já observados quanto as previsões meteorológicas atualizadas para outubro.

O excesso de chuvas também levou a uma redução de 2,3 quilos por tonelada na estimativa de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), indicador que mede a quantidade de açúcar recuperável da cana.

Com a menor disponibilidade de matéria-prima e a queda na qualidade da cana, a XP reduziu sua estimativa de produção de açúcar em aproximadamente 1,5 milhão de toneladas.

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Segundo o banco, a perspectiva de um mix de produção mais açucareiro até o fim da safra — favorecido pela paridade entre açúcar e etanol — não será suficiente para compensar a redução da moagem e do ATR.

A instituição considera que uma safra brasileira de açúcar abaixo de 37 milhões de toneladas é difícil de conciliar com uma perspectiva baixista para os preços no médio prazo. Na avaliação dos analistas, o mercado ainda não incorporou completamente esse cenário, sobretudo diante dos sinais de restrição da oferta global.

Açúcar sobe, mas oferta segue no centro das atenções

As cotações internacionais do açúcar avançaram ao longo do último mês, com o contrato de março de 2027 acumulando alta de aproximadamente 12%. Segundo a XP, o movimento reflete uma combinação de fatores, como entregas menores do que o esperado na bolsa, sinais de melhora marginal da demanda, deterioração das perspectivas de produção na Europa e revisões para baixo da safra brasileira.

Para o banco, porém, o principal vetor de sustentação dos preços continua sendo a oferta. A menor moagem e o ATR mais fraco no Brasil reduzem a produção esperada justamente quando outras regiões produtoras também enfrentam dificuldades.

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A XP avalia que o mercado começa a abandonar a premissa de que o Brasil conseguiria compensar integralmente os problemas de produção em outros países exportadores relevantes. Com os impactos climáticos sobre a safra brasileira e mais uma temporada europeia decepcionante, os riscos para a oferta global permanecem concentrados em uma disponibilidade menor do que a anteriormente esperada.

Cana que fica no campo pode beneficiar próxima safra

Embora a revisão represente uma perda de produção no curto prazo, parte da cana que não for colhida nesta temporada poderá ser aproveitada no ciclo seguinte. A XP estima que aproximadamente 27 milhões de toneladas de cana sejam carregadas para a safra 2027/28, no fenômeno conhecido como cana bisada.

Esse volume poderá ampliar a disponibilidade de matéria-prima e favorecer o potencial de produção de etanol no próximo ciclo. No curto prazo, entretanto, o efeito é de maior restrição no balanço de açúcar, já que a menor moagem e a redução do ATR limitam a oferta brasileira.

A XP também reduziu em cerca de 800 milhões de litros sua estimativa de produção de etanol em 2026/27, principalmente em razão das premissas menores de moagem e ATR. A expectativa é que a produção permaneça pressionada até o encerramento da safra.

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Apesar disso, os estoques atuais de etanol ainda são considerados confortáveis pelo banco. Quando ajustados pela sazonalidade, porém, eles continuam em queda, o que, na avaliação da XP, indica que a demanda permanece saudável.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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