Internacional

Alan Greenspan, economista e ex-presidente do Federal Reserve, morre aos 100 anos

22 jun 2026, 8:49 - atualizado em 22 jun 2026, 10:00
Alan Greenspan
Economista Alan Greenspan durante entrevista em Washington em 2014 (REUTERS/Jonathan Ernst)

O economista Alan Greenspan, uma das figuras mais influentes da política econômica dos Estados Unidos nas últimas décadas, morreu na segunda-feira (22) aos 100 anos. A informação foi confirmada por sua esposa, a jornalista Andrea Mitchell, correspondente da NBC News, que atribuiu a morte a complicações da doença de Parkinson.

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Greenspan comandou o Federal Reserve por quase duas décadas, entre 1987 e 2006, exercendo cinco mandatos sob quatro presidentes — Ronald Reagan, George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush. Sua longa gestão marcou profundamente a condução da política monetária americana e consolidou sua reputação como um dos arquitetos do capitalismo moderno no país.

Durante seu período à frente do banco central, ele supervisionou uma das mais longas expansões econômicas da história dos EUA, entre 1991 e 2001.

Sua decisão de deixar a economia seguir seu curso — apesar da pressão para aumentar a taxa de juros diante de uma ameaça de inflação que nunca se concretizou — ajudou a promover anos de prosperidade nos EUA.

A era foi marcada por seu julgamento perspicaz de que um aumento da produtividade em meados da década de 1990 manteria a inflação sob controle.

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Sua intuição naquele momento ainda é uma referência para as autoridades e foi citada pelo ex-chair do Fed, Jerome Powell, como um exemplo de como o discernimento pode, às vezes, superar os modelos técnicos da economia.

Ao mesmo tempo, Greenspan ganhou notoriedade por sua atuação em momentos de crise, como a rápida resposta ao colapso do mercado acionário na “Segunda-feira Negra” de 1987, quando o índice Dow Jones despencou mais de 22% em um único dia.

Apesar do prestígio, sua trajetória também foi marcada por controvérsias. Críticos apontam que seu apoio à desregulamentação do setor financeiro contribuiu para a formação de desequilíbrios que culminaram na crise financeira global de 2007-2008. O próprio economista, em depoimentos posteriores, reconheceu limitações na avaliação dos riscos do sistema financeiro.

Alguns economistas também consideraram que o chair, que nunca escondeu ser republicano, prejudicou sua independência política ao apoiar os cortes de impostos propostos pelo presidente George W. Bush em 2001, embora também tenha trabalhado em estreita colaboração com o presidente democrata Bill Clinton.

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Nascido em 6 de março de 1926, no bairro de Washington Heights, em Nova York, Greenspan demonstrou desde cedo aptidão para a matemática e a música. Frequentou a Juilliard School e chegou a tocar saxofone e clarinete em bandas de jazz antes de se dedicar à economia. Formou-se pela Universidade de Nova York e iniciou estudos de doutorado na Universidade de Columbia.

Nos anos 1950, aproximou-se da escritora Ayn Rand, cuja filosofia objetivista influenciou seu pensamento econômico, especialmente na defesa do livre mercado. Paralelamente, construiu carreira como consultor econômico e ingressou na política, inicialmente como conselheiro na campanha presidencial de Richard Nixon.

Seu papel no governo se consolidou na década de 1970, quando presidiu o Conselho de Assessores Econômicos durante a administração de Gerald Ford. Em 1987, foi nomeado por Ronald Reagan para presidir o Federal Reserve, cargo em que alcançou status incomum para um tecnocrata, sendo apelidado de “maestro” e até “astro do rock” por sua influência nos mercados.

Após deixar o Fed, Greenspan atuou como consultor e autor, publicando livros e reflexões sobre economia e política. Ao longo da vida, recebeu diversas honrarias, incluindo a Medalha Presidencial da Liberdade, nos Estados Unidos, e reconhecimentos internacionais como a Legião de Honra na França.

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Greenspan deixa Andrea Mitchell, sua esposa há 29 anos. Em declaração, ela destacou não apenas sua relevância profissional, mas também seu lado pessoal. “Ele será lembrado por seu brilhantismo e sua bondade”, afirmou.

*Com informações da NBC News e Reuters

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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