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Allos (ALOS3): CFO detalha estratégia para superar pandemia, surfar onda do e-commerce e se manter relevante nos próximos 50 anos

11 jun 2026, 18:03 - atualizado em 11 jun 2026, 15:20
Daniella Guanabara, CFO da Allos (ALOS3) (Imagem: Money Times)

A ascensão do e-commerce já foi vista como uma ameaça existencial para os shopping centers. Após a pandemia, porém, a avaliação da Allos (ALOS3) é que o setor passou pelo seu maior teste de estresse e saiu dele com uma conclusão clara: os empreendimentos mais relevantes de cada região continuam atraindo consumidores, varejistas e novas oportunidades de negócios.

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“A pandemia foi o grande teste”, afirma Daniella Guanabara, diretora financeira e de relações com investidores da companhia, em entrevista ao programa Money Minds. Assista à íntegra do programa aqui ou abaixo.

Resultado da combinação entre Aliansce Sonae e brMalls, a Allos possui atualmente um portfólio de 49 shoppings espalhados pelo país. Segundo a executiva, a estratégia da empresa está concentrada justamente nos ativos considerados referência em suas áreas de influência.

A lógica é simples: quando um shopping se torna o principal destino de determinada região, ele passa a concentrar fluxo de consumidores. Esse movimento atrai lojistas, fortalece a ocupação e abre espaço para novos modelos de receita.

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A própria função dos shopping centers mudou ao longo dos anos. Se, no passado, o objetivo principal era comprar, hoje o consumidor busca entretenimento, alimentação, serviços e conveniência. Academias, restaurantes, clínicas, salões de beleza e espaços de lazer ganharam relevância dentro dos empreendimentos.

“A primeira razão para sair de casa e ir ao shopping hoje é se divertir. A segunda é comer. A terceira é comprar”, diz Guanabara.

Na visão da executiva, a discussão sobre uma disputa entre comércio físico e digital também perdeu força. O avanço do e-commerce não eliminou a necessidade da experiência presencial, especialmente em segmentos como cosméticos, moda, alimentação e bem-estar.

Em vez disso, aponta a executiva, o setor caminha para uma integração maior entre os dois mundos. O shopping pode servir como ponto de retirada, devolução ou até mesmo centro logístico para entregas de última milha.

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Novas receitas além do aluguel

A estratégia da Allos não se limita à evolução do mix de lojas nos centros de compra.

Com cerca de 15 milhões de visitantes únicos por mês em seu portfólio, a companhia passou a desenvolver novas linhas de negócio baseadas no fluxo de consumidores.

Uma delas é o programa de fidelidade da empresa, que já soma 2,3 milhões de participantes. Ao cadastrar notas fiscais para acumular benefícios, os consumidores ajudam a companhia a entender melhor os hábitos de compra em cada região. A partir desses dados, a empresa consegue direcionar campanhas, ajustar o mix de lojas e desenvolver ações de marketing mais segmentadas.

Outro braço que ganhou relevância é a Helloo, empresa de mídia digital da Allos. Especializada em mídia out of home, a operação utiliza telas instaladas em shopping centers, edifícios residenciais e aeroportos para exibir campanhas publicitárias. Segundo Guanabara, o negócio já responde por aproximadamente 8% da receita da companhia.

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No último ano, a empresa também expandiu sua atuação para aeroportos, incluindo Congonhas, em São Paulo, ampliando as possibilidades de conexão entre anunciantes, consumidores e varejistas.

A aposta nas “mini cidades”

Uma das iniciativas mais ambiciosas da companhia está nos chamados Masterplans. Para cada shopping do portfólio, a empresa desenvolve um planejamento de longo prazo que considera expansões futuras e o desenvolvimento imobiliário do entorno.

A ideia é transformar os empreendimentos em polos urbanos capazes de concentrar moradia, trabalho, serviços e lazer. “Estamos construindo mini cidades”, afirma a executiva.

O modelo prevê parcerias com incorporadoras para construção de torres residenciais e comerciais próximas aos shoppings. Atualmente, a companhia possui 72 torres em desenvolvimento em 14 empreendimentos distribuídos por oito estados.

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A expectativa é gerar R$ 539 milhões em receitas ao longo da próxima década com projetos já contratados.

Mais do que uma nova fonte de receita, a estratégia busca aumentar o fluxo recorrente de consumidores e reforçar a posição dos shoppings como centros de convivência urbana.

Cinquenta anos após a chegada dos primeiros shopping centers ao Brasil, a aposta da Allos é que o futuro do setor esteja menos ligado ao varejo tradicional e cada vez mais associado à criação de ecossistemas completos de serviços, entretenimento e conveniência.

Segundo Guanabara, esta é a chave para se manter relevante nos próximos 50 anos.

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É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
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