Internacional

Liberland, o paraíso dos bilionários cripto, onde até o voto pode ser comprado

26 jul 2026, 11:00
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Imagem: Divulgação/Liberland Press Office

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Liberland é como o paraíso prometido dos bilionários cripto que, localizado entre Sérvia e Croácia, tem a pretensão de se tornar um país libertário e digital administrado por blockchain – mesma tecnologia que sustenta as criptomoedas.

A ideia principal é que o governo pode ser substituído. As práticas, porém, extrapolam a tese e possuem uma lógica incomum no Brasil e em muitos outros países, onde comprar votos ou obter vantagens políticas por meio de pagamentos é crime.

Na micronação de Liberland, quem doa mais influencia mais.

Na prática, as contribuições financeiras para transformar o projeto no refúgio ideal são recompensadas com um token chamado Liberland Merit. Segundo o presidente da micronação, Vít Jedlička, “quem têm mais Merits consegue ter mais influência sobre quem fará parte da liderança”.

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O modelo lembra o voto censitário adotado em parte do Ocidente entre os séculos XVIII e XIX, quando renda e patrimônio determinavam o peso político dos cidadãos. Na micronação, a riqueza é medida pela quantidade de tokens acumulados.

Mais uma ideia do que um país

Liberland já acumula mais de uma década de existência, ao menos no papel. Segundo dados do site de Liberland, a micronação tem 1.295 cidadãos registrados e 812.284 solicitações de cidadania.

O território de apenas 7 quilômetros quadrados parece ter sido escolhido a dedo pelos idealizadores da micronação. Ele se situa em uma área da disputada fronteira entre Sérvia e Croácia que não é reivindicada por Belgrado e é considerada sérvio por Zagreb.

Na prática, porém, trata-se apenas de uma estreita faixa alagadiça às margens do rio Danúbio, marcada por árvores, barracas e algumas construções improvisadas.

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A paisagem contrasta com o futuro imaginado pelos idealizadores. Uma versão digital de Liberland, assinada pelo escritório ZHA, da arquiteta Zaha Hadid, exibe arranha-céus reluzentes, parques flutuantes e estruturas futuristas.

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Imagem: Divulgação/Mytaverse

Já o acesso é feito por barco. Isso porque a Croácia restringe a chegada ao território e a Sérvia não mantém nenhuma infraestrutura próxima que viabilize o acesso por terra.

Além disso, nenhum país reconhece a existência de Liberland. O máximo que a micronação autoproclamada em 2015 dispõe é de diálogo ou laços informais com outros territórios autônomos, como a Somalilândia.

Polêmicas vão muito além da compra de influência

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As polêmicas em torno de Liberland vão muito além da ausência de reconhecimento externo e da possibilidade de comprar influência no governo.

O ministro do Interior, Ivan Pernar, ex-deputado croata expulso do Parlamento por espalhar teorias da conspiração, defende a aplicação de um rigoroso “filtro” para a concessão de cidadania.

De acordo com ele, pessoas favoráveis às finanças descentralizadas costumam vir das classes mais altas.

Em uma entrevista recente à BBC, Pernar não parou por aí. Ele declarou que, se houvesse “um monte de vagabundos no país sem nada”, outras pessoas teriam de contribuir para seus benefícios. Em seguida, afirmou: “Não alimente os animais, porque, se fizer isso, eles se acostumarão e perderão a capacidade de se alimentar sozinhos. O mesmo acontece com as pessoas”.

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O ministro disse ainda que, sem qualquer seleção das pessoas que chegassem de barco, o lugar acabaria como o Reino Unido — o que, segundo ele, “não é desejável”.

Como Liberland pretende sair do papel

Os organizadores acreditam que esse projeto poderá sair das telas graças ao apoio de cerca de 30 bilionários. Entre eles está Justin Sun, fundador da blockchain Tron, cuja fortuna é estimada em US$ 8,5 bilhões pela Forbes.

Sun ocupa o cargo de primeiro-ministro da micronação e se tornou um dos principais patrocinadores da iniciativa, que também funciona para ele como um laboratório.

O empresário já declarou acreditar que o conceito tradicional de Estado-nação pode se tornar obsoleto e ser substituído por sistemas baseados em blockchain, exatamente como propõe Liberland.

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A micronação, porém, não é um caso isolado.

Projetos como Prospera, em Honduras, iniciativas ligadas ao Seasteading Institute, apoiado por Peter Thiel, e a chamada Draper Nation, idealizada pelo investidor Tim Draper, compartilham a mesma visão: criar comunidades digitais ou semiautônomas com regras próprias e forte dependência da tecnologia blockchain.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.
Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.

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