Alta do petróleo e reajuste do diesel entram no radar da inflação no Brasil; veja os destaques do Giro do Mercado de hoje (13)
Nesta sexta-feira (13), o petróleo Brent voltou a subir, superando o valor de US$ 100 o barril. Além disso, a Petrobras (PETR4) anunciou o aumento no preço do diesel: o combustível será vendido às distribuidoras em R$ 0,38 por litro.
As altas acompanham a pressão internacional em meio à guerra no Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz.
Ontem (12), o governo brasileiro anunciou um pacote de medidas para conter a oscilação do preço do petróleo nos combustíveis. Entre as medidas, está a liquidação da cobrança dos impostos PIS/Cofins sobre diesel e a criação de subsídios para produtores e importadores de óleo diesel.
“Quando olhamos para a guerra, nos voltamos muito para o preço do petróleo, mas é importante nos atentar também para o preço dos derivados que têm um potencial inflacionário maior do que o preço do brent pode sugerir em um primeiro momento. É isso que impacta mais a inflação”, afirma Laís Costa, analista da Empiricus, em entrevista para o Giro do Mercado.
Segundo ela, para a inflação brasileira, o diesel tem um peso muito baixo sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e, por isso, não teria um impacto tão grande nas projeções. Com a gasolina, por outro lado, acontece exatamente o oposto.
“Já estamos pensando em colocar isso na projeção, para na próxima revisão de inflação já embutirmos uma revisão da Petrobras”, completou.
A analiata destaca que o cenário base ainda é de corte de juros na próxima reunião do Copom, marcada para dia 18 de março, apesar de reduzir a expectativa sobre a dimensão do valor.
Do lado internacional, às vésperas da semana de Super Quarta, o índice de preços de gastos de consumo (PCE), dado preferido de inflação do Federal Reserve, apresentou uma alta de 0,4% em janeiro. No comparativo anual, o índice subiu 2,8%, acima da meta de 2% perseguida pelo Fed.
Já a economia dos Estados Unidos desacelerou de forma mais acentuada do que se pensava inicialmente no quarto trimestre de 2025. O Produto Interno Bruto (PIB) aumentou a uma taxa anualizada de 0,7% no período, em dado revisado para baixo em relação ao ritmo de 1,4% inicialmente divulgado.
“O PIB teve uma previsão um pouco mais para baixo, mas não vimos nada muito representativo para mudar o cenário, pois esse dado já era esperado. Mas quando olhamos para a inflação, os números vieram mais pressionados”, apontou Costa.
De acordo com a especialista, a expectativa é de que o Fed adote uma postura mais hawkish, mas fatores geopolíticos podem influenciar a próxima reunião.
“O mercado voltou a precificar um corte, mas está tudo muito incerto, porque apesar dos dados divulgados mostrarem uma inflação mais resiliente, temos a questão da guerra que pode impactar as decisões”, afirmou.
No Ibovespa, a maior queda do dia era CSN (CSNA3), enquanto Magazine Luiza (MGLU3) foi o destaque positivo da manhã.
*Com supervisão de Juliana Américo