Aporte de R$ 100 milhões e foco na baixa renda: O plano da 99Compras para popularizar o delivery
A 99 avança em sua estratégia de se consolidar como um superapp no Brasil com a chegada da 99Compras à capital paulista. Após retomar a operação da 99Food no país e anunciar um plano de investimento de R$ 2 bilhões para o segmento de entrega de alimentos, a companhia agora amplia sua atuação com uma plataforma voltada para compras do dia a dia.
O lançamento em São Paulo é acompanhado de investimentos de R$ 100 milhões e marca a expansão da operação, que começou em Goiânia (GO) e, posteriormente, chegou ao ABC Paulista e a Guarulhos.
A plataforma reúne categorias como supermercado, farmácia, pet shop, beleza, presentes e utensílios domésticos. Segundo a companhia, a operação estreia na capital e em mais de 20 municípios da região metropolitana, incluindo Osasco, Mauá, Carapicuíba, Itaquaquecetuba e Barueri.
A 99Compras chega à região com cerca de 3 mil parceiros comerciais, entre eles Americanas, Atacadão, Carrefour, Cobasi, Petz, St. Marche e Ultrafarma, além de uma rede de mais de 200 mil entregadores parceiros.
“São Paulo reúne escala, diversidade e um consumidor cada vez mais conectado. Por isso, a chegada à capital paulista marca um novo momento para a 99Compras”, afirma Talita Poleto, diretora comercial da 99Compras.
Aposta na classe média e baixa
Apesar da forte concorrência no setor de delivery, a executiva acredita que a empresa possui um diferencial relevante: a dimensão de sua base de usuários.
Em entrevista ao Money Times, Talita afirmou que a estratégia da companhia está centrada em ampliar o acesso aos serviços de delivery para consumidores que ainda veem o canal digital como caro.
“Temos mais de 60 milhões de usuários dentro da nossa base. Muitos deles são das classes C, D e E, o que gera uma possibilidade de escala e de destravar consumo muito importante”, afirma.
Segundo ela, a principal proposta de valor da companhia está na acessibilidade.
“Hoje, ainda existe a percepção de que é caro comprar comida ou realizar compras dentro dos aplicativos. É justamente aí que conseguimos agregar valor, ampliando o acesso para consumidores que antes não utilizavam esse serviço”, diz.
A executiva acrescenta que o foco não está apenas na expansão acelerada da operação, mas também na construção de um modelo sustentável para consumidores, varejistas e entregadores.
Os R$ 100 milhões anunciados para São Paulo serão direcionados justamente ao fortalecimento desses três pilares da operação.
“Estamos usando esse investimento para estruturar a operação, fomentar o crescimento e garantir um bom nível de atendimento para entregadores, parceiros comerciais e consumidores. É assim que construímos um negócio sustentável no longo prazo”, afirma.
Farmácias lideram crescimento
Entre as categorias oferecidas pela 99Compras, as farmácias vêm se destacando como a vertical de crescimento mais acelerado. Em Goiânia, a categoria já representa 28% dos pedidos realizados pela plataforma. Na Grande São Paulo, mesmo em fase inicial de operação, a participação já chega a 22%.
Entre os produtos mais procurados estão itens de higiene pessoal, fraldas, nutrição infantil, preservativos, testes de gravidez e medicamentos isentos de prescrição.
Segundo Talita, o segmento exige atenção especial por conta das regras regulatórias e das particularidades logísticas.
“Farmácia é um setor muito específico porque é altamente regulamentado. Mais importante do que crescer é crescer com segurança e responsabilidade”, afirma.
A companhia conta com equipes dedicadas de produto, tecnologia, logística e comercial voltadas para o segmento, além de acompanhar regulamentação e normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Um dos exemplos citados pela executiva é a implementação da funcionalidade de prescrição digital.
“A categoria de farmácia tem um potencial de crescimento enorme. É a que mais cresce dentro da nossa operação e estamos olhando para ela com muito cuidado para construir esse crescimento de forma responsável”, diz.
Embora seja um segmento desafiador, Talita destaca que o tempo médio das entregas de farmácia gira em torno de 24 minutos — abaixo do registrado para pedidos de supermercado ou comida, que levam cerca de 28 minutos.
Segundo ela, a diferença se explica pela dinâmica operacional. Os supermercados costumam ser maiores e dependem da atuação do picker, profissional responsável por selecionar e separar os produtos para o entregador. Nas farmácias, esse processo é mais simples, pois as lojas são menores e a coleta dos itens ocorre de forma mais rápida.
Próximo passo é consolidar São Paulo
Apesar dos planos de expansão nacional, a prioridade da 99 é consolidar sua operação na capital paulista antes de avançar para novos mercados.
“Neste momento, nosso foco é garantir um bom nível de serviço e uma experiência de qualidade para consumidores e parceiros em São Paulo. Depois disso, vamos avaliar a expansão para novas praças”, afirma Talita.
A estratégia acompanha a crescente digitalização do varejo brasileiro. Segundo dados apresentados pela companhia, a participação do comércio eletrônico nas vendas do país saltou de 5% para 20% entre 2015 e 2024, reforçando o potencial de crescimento do segmento.
Ainda assim, a executiva destaca que o Brasil ainda está atrás de mercados como China e Estados Unidos, onde o e-commerce alcançou participações de 35% e 29%, respectivamente, indicando que há espaço para o segmento continuar crescendo no país.
“A gente não busca crescimento acelerado pelo crescimento acelerado. A gente busca excelência. O consumidor não precisa necessariamente receber a compra em 10 minutos; ele precisa ter a certeza de que vai recebê-la em 30 minutos, com previsibilidade e garantia”, completa.
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