Apostas online: SUS amplia rede de apoio psicológico para jogadores e familiares
O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou a estrutura de atendimento destinada a pessoas com problemas relacionados a apostas online. A rede agora tem capacidade para realizar até 100 mil teleatendimentos por mês, ante cerca de 600 consultas mensais oferecidas quando o programa foi lançado, em março.
A iniciativa é operacionalizada pelo aplicativo Meu SUS Digital em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
Salto na demanda por atendimentos por causa das bets
A nova frente de atendimento remoto tem como foco a saúde mental de apostadores e familiares.
A ampliação da infraestrutura é uma tentativa de responder à explosão da demanda por socorro financeiro e psicológico no país.
O serviço é remoto e sigiloso. Ele funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
A execução da iniciativa por meio de teleatendimento é uma forma de contornar fatores que muitas vezes inibem as pessoas de buscar o suporte presencial.
“Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa, pelo celular”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
De acordo com ele, a ferramenta digital reduz barreiras ao permitir que o cidadão identifique os sinais de risco e inicie o acompanhamento de casa, pelo celular, recebendo até 10 sessões de 50 minutos por semana com psicólogos e enfermeiros especializados.
Ação coordenada
A medida ganha contornos macroeconômicos ao se conectar às ações do Ministério da Fazenda no monitoramento do mercado de apostas.
Por meio do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, o governo identificou que a perda de controle sobre o orçamento doméstico já empurrou mais de 1 milhão de pessoas a solicitarem o bloqueio voluntário do próprio CPF na Plataforma Centralizada de Autoexclusão para impedir o acesso a sites autorizados.
O raio-x dos bloqueios reflete o rastro de endividamento deixado pelo setor: 35% dos usuários justificaram o pedido de autoexclusão por perda total de controle sobre o jogo, enquanto 11,8% citaram diretamente o estrago nas finanças pessoais.
Pico de endividamento coincide com grandes eventos esportivos
Somente durante o período da Copa do Mundo, entre junho e julho, mais de 387 mil cidadãos solicitaram o bloqueio voluntário do CPF.
O dado representa 38% de todas as autoexclusões de sites de apostas online já registradas no país.
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Rede de apoio busca identificar sinais de dependência em apostas
Para acessar a rede de apoio, o usuário deve entrar no aplicativo Meu SUS Digital com credenciais do gov.br, navegar até a seção de saúde mental e realizar um autoteste de diagnóstico inicial.
Caso a necessidade de acompanhamento seja confirmada, o sistema direciona o paciente para a triagem da AgSUS, onde é gerado um protocolo para o agendamento de videochamadas semanais. O serviço também acolhe familiares que sofrem os impactos do endividamento e da desestruturação do lar.
Um dos principais sinais de alerta é a presença de comportamentos associados à ludopatia, transtorno mental que se caracteriza pelo impulso incontrolável de jogar e apostar dinheiro.
Outros sintomas que merecem atenção incluem a ansiedade e irritabilidade na ausência de apostas, alterações de sono e de humor e comprometimento direto da renda familiar para cobrir prejuízos com as perdas dos jogos.
A recomendação da rede pública é que o uso compulsivo dos jogos como válvula de escape para o estresse seja tratado antes que resulte em insolvência financeira ou na necessidade de encaminhamento para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para atendimento presencial.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.