Saúde

Apostas online: SUS amplia rede de apoio psicológico para jogadores e familiares

10 ago 2026, 8:55
Homem aposta em máquina caça-níquel com eletrodos na cabeça e pesquisadores ao redor.
Homem aposta em máquina caça-níquel com eletrodos na cabeça e pesquisadores ao redor. Imagem gerada por IA.

O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou a estrutura de atendimento destinada a pessoas com problemas relacionados a apostas online. A rede agora tem capacidade para realizar até 100 mil teleatendimentos por mês, ante cerca de 600 consultas mensais oferecidas quando o programa foi lançado, em março.

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A iniciativa é operacionalizada pelo aplicativo Meu SUS Digital em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

Salto na demanda por atendimentos por causa das bets

A nova frente de atendimento remoto tem como foco a saúde mental de apostadores e familiares.

A ampliação da infraestrutura é uma tentativa de responder à explosão da demanda por socorro financeiro e psicológico no país.

O serviço é remoto e sigiloso. Ele funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

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A execução da iniciativa por meio de teleatendimento é uma forma de contornar fatores que muitas vezes inibem as pessoas de buscar o suporte presencial.

“Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa, pelo celular”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

De acordo com ele, a ferramenta digital reduz barreiras ao permitir que o cidadão identifique os sinais de risco e inicie o acompanhamento de casa, pelo celular, recebendo até 10 sessões de 50 minutos por semana com psicólogos e enfermeiros especializados.

Ação coordenada

A medida ganha contornos macroeconômicos ao se conectar às ações do Ministério da Fazenda no monitoramento do mercado de apostas.

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Por meio do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, o governo identificou que a perda de controle sobre o orçamento doméstico já empurrou mais de 1 milhão de pessoas a solicitarem o bloqueio voluntário do próprio CPF na Plataforma Centralizada de Autoexclusão para impedir o acesso a sites autorizados.

O raio-x dos bloqueios reflete o rastro de endividamento deixado pelo setor: 35% dos usuários justificaram o pedido de autoexclusão por perda total de controle sobre o jogo, enquanto 11,8% citaram diretamente o estrago nas finanças pessoais.

Pico de endividamento coincide com grandes eventos esportivos

Somente durante o período da Copa do Mundo, entre junho e julho, mais de 387 mil cidadãos solicitaram o bloqueio voluntário do CPF.

O dado representa 38% de todas as autoexclusões de sites de apostas online já registradas no país.

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Para acessar a rede de apoio, o usuário deve entrar no aplicativo Meu SUS Digital com credenciais do gov.br, navegar até a seção de saúde mental e realizar um autoteste de diagnóstico inicial.

Caso a necessidade de acompanhamento seja confirmada, o sistema direciona o paciente para a triagem da AgSUS, onde é gerado um protocolo para o agendamento de videochamadas semanais. O serviço também acolhe familiares que sofrem os impactos do endividamento e da desestruturação do lar.

Um dos principais sinais de alerta é a presença de comportamentos associados à ludopatia, transtorno mental que se caracteriza pelo impulso incontrolável de jogar e apostar dinheiro.

Outros sintomas que merecem atenção incluem a ansiedade e irritabilidade na ausência de apostas, alterações de sono e de humor e comprometimento direto da renda familiar para cobrir prejuízos com as perdas dos jogos.

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A recomendação da rede pública é que o uso compulsivo dos jogos como válvula de escape para o estresse seja tratado antes que resulte em insolvência financeira ou na necessidade de encaminhamento para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para atendimento presencial.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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