Vício em bets no trabalho: Afastamentos pelo INSS disparam no Brasil; veja os números
Os problemas do crescimento das apostas online no Brasil começam a a impactar as estatísticas oficiais do mercado de trabalho. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que os afastamentos de funcionários por vício em jogos dispararam no Brasil em 2026. O aumento nos diagnósticos atinge a gestão de pessoas e passa a chegar à Justiça do Trabalho.
Levantamento divulgado pelo Intercept Brasil com dados oficiais aponta que, entre junho de 2023 e abril de 2025, os auxílios-doença por ludopatia somaram 276 concessões. O volume representa um crescimento de 2.300% na comparação com a média inicial da série levantada junto ao governo federal.
A base de comparação é pequena, mas os números são crescentes. Em junho de 2023, o sistema contabilizava apenas um benefício concedido no mês. Em junho de 2026, o número atingiu a marca de 62 concessões.
“Até pouco tempo, as bets eram discutidas principalmente sob a ótica econômica. Agora, começam a surgir consequências previdenciárias e trabalhistas. O aumento dos afastamentos mostra que a ludopatia passou a produzir efeitos concretos nas relações de trabalho”, avalia a advogada Priscila Arraes Reino, autora do livro Burnout tem Lei – Guia Jurídico para Quem Adoeceu por Causa do Trabalho.
Os registros da Previdência indicam forte concentração dos casos na população em idade produtiva. Os dados mostram que os homens representam 73% do total de trabalhadores que obtiveram o auxílio do INSS pelo problema.
A faixa etária mais atingida compreende pessoas entre 18 e 39 anos, grupo que soma 80% dos beneficiários do período analisado. Além disso, os registros oficiais revelam que 7% dos profissionais afastados declararam possuir dependentes no cadastro previdenciário.
Procedimentos e jurisprudência trabalhista
Para resguardar a operação dentro dos limites legais, a jurisprudência dos tribunais trabalhistas indica que os departamentos de recursos humanos devem cumprir etapas formais antes de aplicar a penalidade máxima de desligamento. O procedimento padrão recomendado pela doutrina jurídica começa pelo encaminhamento do profissional para perícia ou avaliação médica especializada, a fim de atestar a capacidade cognitiva e laboral.
Em termos de compliance e gestão de risco, a consolidação de uma demissão por justa causa exige a comprovação da gradação das sanções disciplinares, acompanhada do registro formal do histórico de ocorrências e das alterações no desempenho. Esse respaldo documental é exigido na Justiça do Trabalho para demonstrar se o ato faltoso decorreu de infração disciplinar voluntária ou de incapacidade provocada por quadro de saúde mental.
*Sob orientação de Gustavo Porto