Ibovespa cai 1% com eleições e expectativa de juros mais altos nos EUA; dólar sobe a R$ 5,19
O Ibovespa (IBOV) acompanhou a aversão a risco com preços do petróleo acima de U$ 100, perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos e cenário eleitoral.
Nesta quinta-feira (24), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com baixa de 0,99%, aos 183.965,91 pontos.
Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1937, com alta de 0,49%.
Por aqui, a corrida presidencial dividiu as atenções com novas projeções do Banco Central para os principais indicadores econômicos.
A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano caiu de 2,0% para 1,8%. Para 2027, o BC espera desaceleração adicional, com avanço de 1,4%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM).
No cenário de referência, o BC projeta que a inflação recue para 4,4% no terceiro trimestre de 2026, mas volte a acelerar e alcance 5,2% no fim do ano.
Além disso, o governo revisou a projeção para o resultado primário em 2026, passando de um superávit de R$ 10,8 bilhões para déficit de R$ 13,6 bilhões.
“A piora das estimativas fiscais aumentou a cautela dos investidores com a trajetória da dívida para a pressão observada sobre o câmbio e os juros futuros”, destacou Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil.
Altas e quedas do Ibovespa
A ponta positiva do Ibovespa foi liderada por Yduqs (YDUQ3), com alta de 2,95% (R$ 11,18), com a fusão da companhia com a Afya (AFYA).
Magazine Luiza (MGLU3) também ficou entre as maiores altas, com avanço de 2,78% (R$ 6,29), após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogar a medida preventiva que proibia a empresa de comercializar e distribuir “diversos medicamentos”.
Já a ponta negativa foi encabeçada por Natura (NATU3), que recuou 5,88% (R$ 7,20).
O destaque, porém, foi RD Saúde (RADL3), que caiu 5,38% (R$ 18,45), pressionada pelo anúncio de expansão do negócio do Mercado Livre (MELI34) de varejo farmacêutico no país, com sua farmácia própria em São Paulo iniciando vendas de produtos sob prescrição a partir deste mês.
Entre as blue chips, o tom também foi negativo. As ações da Petrobras (PETR4;PETR3) destoaram do desempenho do petróleo e fecharam em baixa com a cautela doméstica: PETR3 recuou 0,86% (R$ 54,12) e PETR4 teve queda de 0,69% (R$ 49,26).
Ainda no setor de commodities, Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, teve perda de 1,15% (R$ 70,66).
No setor de bancos, o Índice Financeiro (IFNC) caiu 1,35%.
Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
Exterior
Os índices de Wall Street fecharam sem direção única, com os investidores monitorando a cúpula entre os presidente dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro, os Treasuries, mantiveram a trajetória de alta e renovaram máximas históricas, com precificação de novas altas altas nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) após novos dados. Em destaque, o rendimento do título de 30 anos atingiu 5,446%, no maior nível desde junho de 2004.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,31%, aos 51.349,98 pontos;
- S&P 500: -0,02%, aos 7.704,13 pontos;
- Nasdaq: +0,01%, aos 26.939,373 pontos.
Em destaque, o Dow Jones engatou a terceira queda consecutiva.
Na Europa, os mercados fecharam em queda: o índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,55%, aos 636,43 pontos.
Na Ásia, os índices terminaram em tom misto: o índice Nikkei, do Japão, subiu 0,76%, aos 65.513,99 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve perda de 0,29%, aos 24.761,13 pontos.