Argentina

Argentina: Com Milei na presidência, turistas brasileiros ainda terão vida de rei no país?

28 nov 2023, 16:58 - atualizado em 21 dez 2023, 11:45
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De 2021 para 2022 os voos entre Brasil e Argentina cresceram 481,7%, ultrapassando a quantidade de viagens entre Brasil e Estados Unidos. (Imagem: REUTERS/ Agustin Marcarian)

A vitória de Javier Milei, em 20 de novembro, coloca uma interrogação na cabeça de quem estava planejando sua viagem para o país em 2024. Com as promessas de campanha polêmicas, como o fechamento do Banco Central da Argentina e a dolarização da economia, a dúvida que fica dos turistas é se ainda vale a pena a viagem para o país vizinho.

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A Argentina se tornou o destino favorito dos turistas brasileiros nestes últimos anos. De 2021 para 2022 os voos entre Brasil e Argentina cresceram 481,7%, ultrapassando a quantidade de viagens entre Brasil e Estados Unidos, segundo dados da Agência Nacional de Avião Civil (Anac). 

A posse do ultraliberal de extrema-direita acontece no dia 10 dezembro e, até lá, especulam-se os efeitos de Milei na economia dos hermanos.

O que fez com que os turistas brasileiros fossem para Argentina?

A principal motivação da escolha foi o custo benefício. Há quem diga que os brasileiros passam por uma “vida de rei” por conta dos valores menores do que uma viagem para a Bahia, por exemplo, com jantares repletos a R$ 200, passeios e hospedagens a “preço de banana’.

Isso porque inflação na Argentina está descontrolada. Segundo levantamento da Austin Rating, a taxa acumulada de janeiro a outubro foi de 120%. Em 12 meses, atingiu 142,7%. Com isto, a moeda argentina se desvaloriza frente ao dólar que, consequentemente, se mostra muito mais atrativo para o real.

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Os produtos famosos como vinhos argentinos se tornam uma das atrações principais para os brasileiros que encontram os mesmos produtos nas gôndolas dos mercados brasileiros a preços muito mais elevados.

Milei eleito: Como fica a economia da argentina?

vitória de Milei, já gera impactos concretos em áreas sensíveis para o bolso dos argentinos, o mercado financeiro e as empresas locais. O epicentro dessas ondas de choque é o plano do economista ultraliberal de dolarizar a economia.

A soma desta escassez com a firme disposição de dolarizar a economia argentina tem um efeito óbvio: a alta da moeda americana frente ao peso, a moeda oficial do país. Essa disparada já foi captada no próprio domingo após os resultados da eleição pelo dólar criptostablecoin atrelada ao dólar que se tornou uma referência para o câmbio do país.

Já no primeiro dia útil após a vitória, o dólar “blue”, uma das cotações paralelas mais usadas por lá, fechou em alta de 8%, negociado a 1.025 pesos para compra e 1.075 para venda.

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O desafio dos analistas agora é estimar quanto a moeda americana subirá até a posse de Milei. A economista da Bloomberg Economics, Adriana Dupita, acredita que o novo presidente terá muito trabalho pela frente e que não vai ser tão simples dolarizar uma economia. 

“Milei terá de apresentar uma estratégia para reduzir o setor público e criar uma economia mais produtiva e eficiente. Ele precisará do apoio do Congresso e de uma política externa pragmática para fortalecer as exportações”, apontou a economista.

“Não esperamos que a dolarização aconteça no curto prazo – as reservas internacionais são muito baixas. Líquidos dos requisitos de reservas sobre contas correntes cambiais e outros passivos, como swaps chineses, são negativos. Há cerca de US$ 20 bilhões em pagamentos de importação atrasados. Se Milei trocasse pesos circulantes por dólares das reservas da Argentina à atual taxa de câmbio paralela, estimamos que lhe faltariam US$ 65 milhões”, explicou.

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Ainda vai valer a pena ir para a Argentina em 2024?

Ainda é difícil fazer um prognóstico quando se desconhece a fundo as estratégias que serão adotadas por Miliei, no entanto, Dupita acredita ser “bastante provável” que a moeda argentina passe por uma desvalorização no início do novo governo.

“A inflação tende a se acelerar neste primeiro momento conforme os preços domésticos acompanham a nova taxa de câmbio e o novo governo diminui os subsídios a preços regulados, como tarifas de energia e transporte”, aponta a economista.

Para os turistas, ela enxerga que apenas dois caminhos possíveis: melhorar ou piorar, dependendo do que andar mais rápido – a inflação ou o câmbio.

A profissional entende que aquele turista que fazia conversão pelo câmbio oficial vai ganhar poder de compra, enquanto o turista que já conseguia explorar a taxa mais favorável do mercado paralelo (por exemplo, com o dólar tarjeta) poderá ver pouca mudança nos preços.

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Como se preparar para uma viagem ao país com este cenário?

Um dos primeiro pontos é saber que existem taxas de câmbio diferentes no país, e por isso o turista deve estar muito atento a taxa que está pagando. Por isso, é recomendado que utilize as casa de câmbio e empresas legalizadas para a conversão.

Ricardo Amaral, presidente da Western Union no Brasil, reforça que há também muitos aproveitadores no mercado, que trocam moeda de maneira ilegal, muitas vezes lesando o cliente.

A recomendação da empresa é que o viajante sempre tenha alternativas diferentes em relação à moeda, para assim aproveitar as melhores taxas e ter disponibilidade sempre. É possível realizar transferências em reais, para serem sacados em uma loja física na Argentina, utilizando o aplicativo ou o site da companhia para o processo.

Como principal dica, o executivo diz que pesquisar muito o roteiro e se preparar para imprevistos em relação ao dinheiro é a melhor alternativa para aproveitar a Argentina.

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Quanto ao uso de cartões de crédito e débito internacional, o governo argentino permitiu, em novembro de 2022, que a Mastercard e Visa ofereçam aos viajantes uma taxa de câmbio que quase dobra seu poder de compra, e que usem taxas de câmbio semelhantes às oferecidas no mercado paralelo.

*Com Marcio Juliboni

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, atua há 3 anos na redação e produção de conteúdos digitais no mercado financeiro. Anteriormente, trabalhou com produção audiovisual, o que a faz querer juntar suas experiências por onde for.
juliana.caveiro@moneytimes.com.br
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, atua há 3 anos na redação e produção de conteúdos digitais no mercado financeiro. Anteriormente, trabalhou com produção audiovisual, o que a faz querer juntar suas experiências por onde for.
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