Argus: Preço da ureia subiu até R$ 300 por t desde início de conflito no Irã
As cotações da ureia no mercado global registram tendência de alta, acumulando um aumento de até US$ 300 a tonelada desde o início do conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro.
Segundo dados da Argus Media, apresentados em evento em São Paulo, nesta segunda-feira, o preço no Egito atingiu US$ 820 (FOB) na última semana. No Irã, o valor chegou a US$ 630 (FOB), enquanto no Brasil a média de preços da commodity é de US$ 745.
Segundo dados apresentados pela editora adjunta da publicação Argus Brasil Grãos e Fertilizantes, Gisele Augusto, o avanço nos preços reflete o bloqueio no Estreito de Ormuz, que reduziu a oferta global de ureia em cerca de 2 milhões de toneladas em março.
Desse volume, 1,5 milhão de toneladas referem-se a cortes na produção e 800 mil toneladas estão retidas na via marítima. No Irã, ataques recentes paralisaram três unidades produtivas, o que deve afetar o fornecimento ao País, considerando que o mercado iraniano respondeu por 18% da ureia importada pelo Brasil em 2025.
A Índia também influencia o cenário global com o anúncio de um novo leilão para 1,5 milhão de toneladas, com fechamento previsto para 15 de abril e embarques até junho. Augusto explicou que o país enfrenta redução no fornecimento de gás para fertilizantes, operando com 70% da capacidade, o que retirou 800 mil toneladas de circulação no último mês.
No segmento de fosfatados, a China mantém bloqueadas as exportações de MAP, DAP e outros produtos como SSP e TSP, sem data oficial para retomada. O Marrocos anunciou que antecipará manutenções programadas, o que deve reduzir em 30% sua produção para exportação no segundo trimestre. O custo do enxofre tem causado impacto na fabricação de SSP, representando até 20% do custo de produção em algumas unidades.
O nitrato de amônio registra baixa disponibilidade no mercado interno após a Rússia prorrogar a suspensão de suas exportações até 21 de abril. No Brasil, as ofertas de venda subiram de US$ 450 para US$ 580 por tonelada após o bloqueio. Já o cloreto de potássio apresenta estabilidade, com reajustes mensais entre US$ 5 e US$ 10, sem sofrer impactos diretos do conflito no Oriente Médio.