As construtoras que podem se beneficiar da expansão do Minha Casa, Minha Vida, segundo BTG
O BTG Pactual reiterou sua visão positiva para as construtoras de baixa renda e afirmou que as mudanças previstas para o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) podem impulsionar ainda mais o segmento nos próximos anos.
Em relatório, o banco manteve destaque para a Tenda (TEND3), considerada a principal escolha (top pick) entre as empresas expostas à habitação popular, mas apontou que outras incorporadoras podem se beneficiar do ambiente mais favorável.
Companhias como Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), Plano & Plano (PLPL3) e MRV (MRVE3), por exemplo, possuem recomendação de compra pela instituição.
A casa destacou que o governo federal deve ajustar as regras do programa habitacional, incluindo a elevação do preço-teto dos imóveis e o aumento da renda das famílias elegíveis a financiamentos.
As medidas devem ser discutidas na próxima reunião do conselho curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), marcada para o dia 24 de março, e, na avaliação dos analistas, se aprovadas, podem sustentar um ciclo mais forte para a baixa renda.
Mudanças nas faixas de renda
Entre as propostas em discussão, está a expansão da renda máxima permitida em todas os níveis do programa.
De acordo com o relatório, a Faixa 1 passaria a contemplar famílias que ganham até R$ 3.200 por mês, ante R$ 2.850 atualmente, enquanto a Faixa 2 poderia subir para R$ 5.000, frente aos R$ 4.700.
Na Faixa 3, esse limite subiria para R$ 9.600, versus R$ 8.600. Já na Faixa 4, poderia alcançar R$ 13 mil, contra R$ 12 mil.
Os ajustes, segundo o BTG, têm como objetivo atualizar os montantes após a inflação recente e a alta do salário mínimo.
| Faixa | Atual (R$) | Proposta (R$) |
|---|---|---|
| Faixa 1 | 2.850 | 3.200 |
| Faixa 2 | 4.700 | 5.000 |
| Faixa 3 | 8.600 | 9.600 |
| Faixa 4 | 12.000 | 13.000 |
Teto de preços também deve subir
O governo também pretende elevar o valor máximo dos imóveis financiados nas faixas mais altas do MCMV, o que, de acordo com o banco, pode permitir lançamentos de empreendimentos mais caros, ampliando o potencial de vendas das construtoras.
Pelo cenário considerado, o ajuste seria:
| Faixa | Atual (R$) | Proposta (R$) |
|---|---|---|
| Faixa 3 | 350 mil | 400 mil |
| Faixa 4 | 500 mil | 600 mil |
“Se for aprovado, 2026 deve ser mais um ano forte para as empresas”, afirmaram os analistas, apontando que 2025 foi “excepcional” para o setor, com margens se expandindo para “níveis sem precedentes”.
“As companhias de construção de imóveis populares negociadas em bolsa registaram um aumento de lançamentos e vendas de 19% e 20% em CAGR de 5 anos, enquanto os lucros consolidados e o ROE aumentaram significativamente desde 2021”, disseram.
Orçamento maior
O relatório também destacou que o volume de recursos destinado ao Minha Casa, Minha Vida segue em expansão.
Para 2026, o orçamento total voltado ao segmento de baixa renda pode superar os R$ 188 bilhões, valor que representa alta de cerca de 29% em relação ao montante executado em 2025.