Às vezes, precisamos parar de falar de mercado
O ditado em inglês “First things First” define o momento em que a gente dá prioridade ao que é prioridade. Colocamos as primeiras coisas primeiro. E às vezes temos que parar as máquinas para isso.
Eu sou apaixonado por falar sobre economia e mercado, mas a leitura que terminei nesta semana rendeu uma pane na minha cabeça a ponto de eu não conseguir falar de outro assunto porque temos uma prioridade em andamento – que não está sendo tratada como tal.
A leitura em questão é Mulheres Empilhadas, da escritora Patrícia Melo. O livro estava há algum tempo na minha prateleira esperando que eu tivesse estômago para ler. Decidi encarar de vez – a sinopse já tinha me deixado alerta sobre o que viria.
O livro conta a história de uma advogada que vai ao Acre coletar material sobre o julgamento coletivo de agressores e assassinos de mulheres. Lá, se depara com um Brasil (não tão diferente de todo o resto) em que matar mulheres é quase um esporte local. E acaba virando alvo ao buscar justiça.
O livro é ficcional – embora soe tão real quando o céu é azul. Mas é entremeado por curtas histórias reais de mulheres vítimas de feminicídio.
Quatro mulheres são mortas em casos de feminicídio no Brasil todos os dias. Isso tem impacto nas vidas delas, sua segurança, suas famílias. Mas também em como trabalham, geram renda, investem e vivem. Essas mulheres estão no mercado financeiro, são investidoras, são trabalhadoras…
Tem muita coisa acontecendo no Brasil, no mundo e nos mercados. Mas não devia ser possível falarmos de mais nada antes de resolver isso.
First things first.