Inflação

Choque de oferta? Alta do petróleo é responsável por avanço de 60% da inflação no 1T26, diz Daycoval

09 maio 2026, 11:00 - atualizado em 09 maio 2026, 11:01
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(Imagem: REUTERS/Ricardo Moraes)

O Banco Daycoval, em estudo recente, avalia o choque de oferta é o principal motor da alta da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O fator é responsável por cerca de 60% (0,82 ponto percentual) do avanço do índice no acumulado dos primeiros três meses de 2026.

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No período, o IPCA registrou alta de 1,4% — uma retomada relevante após a desaceleração observada ao longo de 2025. Segundo o banco, o choque de petróleo é determinante no aumento dos preços administrados, especialmente dos combustíveis no curto prazo.

No entanto, a alta do petróleo ainda tem efeitos secundários sobre bens industriais e, por meio das expectativas de inflação, sobre os serviços no médio prazo, afirma o Daycoval.

Além disso, vale lembrar que a inflação de serviços subjacentes, em especial, é monitorada de perto pelo Banco Central (BC), visto que é um componente que mostra uma tendência mais inercial da inflação, ou seja, que leva mais tempo para mudar.

Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC disse que as leituras recentes mostraram alívio nos serviços subjacentes.

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Já do lado da demanda, o componenete contribuiu com avanço de 0,35 ponto percentual no primeiro trimestre de 2026 (1T26), o que, na avaliação dos economistas do Daycoval, é consistente com a economia operando acima de sua capacidade, mas perdendo força desde o seu pico de 2024.

Por outro lado, no acumulado em 12 meses, a demanda ainda segue como o fator dominante de avanço do IPCA, acrescentam.

No estudo, os economistas Rafael Cardoso, Julio Cesar Barros e Antonio Ricciardi consideram que as expectativas de inflação do próximo ano são fortemente sensíveis a fatores de oferta, como o choque do petróleo.

O banco detalha que o componente de oferta nas expectativas atingiu cerca de 2,2 pontos percentuais — acima da demanda (+1,5 p.p.) no 1T26. Como as expectativas estão influenciando diretamente a inflação, a persistência da alta do petróleo tende a manter as expectativas inflacionárias em níveis elevados, pressionando via inércia a inflação de serviços.

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“Com isso, a tarefa do BC de convergir a inflação à meta de 3% torna-se ainda mais desafiadora”, afirma o time de economistas do Daycoval.

Implicações para o BC

Para o Daycoval, o cenário apresenta complicadores relevantes em relação ao atual choque de oferta na condução da política monetária pelo Banco Central, indicando a necessidade de ter cautela ao reduzir os juros.

Entre os dificultadores, o banco destaca as expectativas já desancoradas acima da meta, que voltaram a acelerar em relação ao centro da meta de 3%; a economia operando acima de sua capacidade, também conhecido como hiato do produto positivo; e a incerteza fiscal elevada e o câmbio volátil em um ano eleitoral.

“Esses fatores podem ampliar os riscos de efeitos de segunda ordem, ou seja, da contaminação do núcleo da inflação e reduzem o espaço para uma resposta de política monetária mais flexível”, avalia o Daycoval.

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Nesse cenário, o banco diz que a oferta como principal vetor de alta da inflação não elimina a necessidade de vigilância sobre a demanda e as expectativas inflacionárias por parte do BC.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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